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Quando Deus altera nossos planos

Por Kristen Torres-Toro

Tradução de Orlando Silva

 

Ariela, 28, é de Ushuaia, Argentina, a cidade mais ao extremo sul do planeta.

 

Aos 15 anos, Deus tocou seu coração para que ela fosse para o campo missionário. “ Foi uma ação Divina; Deus operando em mim.  Ele disse qual seria minha tarefa: compartilhar Sua Palavra com as pessoas nas regiões menos alcançadas pelo Evangelho, “ disse Ariela. “ Escolhi minha profissão considerando que eu iria trabalhar com os desassistidos/desfavorecidos, crianças face algum tipo de risco e/ou perigo e crianças com algum tipo de deficiência. ” Com efeito, desde a infância, ela tinha tido um intenso desejo de, especificamente, trabalhar com o povo de Myanmar.

 

Depois de graduar-se em Psicologia Infantil, ela orou a Deus: “E agora? ” Depois que um amigo mencionou sobre um grupo trabalhando com refugiados no Oriente Médio, ela se engajou em uma missão de curto prazo e foi para essa região.

 

“Nessa época eu entendi que Deus tinha me chamado para trabalhar com as crianças mais necessitadas/desassistidas do mundo: as refugiadas, “ disse Ariela.

Enquanto orava por oportunidades para servir a Deus, a crise com os refugiados Rohingya, eclodiu em Bangladesh. Integrante de uma das mais rápidas, e intensas, crises de refugiados da história, os Rohingya, são parte de uma comunidade de muçulmanos de Myanmar. Mais de 800.000 homens, mulheres e crianças fugiram, a pé, para a vizinha Bangladesh, devido ao que a ONU chamou de ‘limpeza étnica’.

 

De repente, trabalhar com os Rohingya tornou-se o principal alvo de Ariela.

 

Em 2018, Ariela foi de avião até o Reino Unido, onde ela pretendia conseguir um visto para Bangladesh e, assim, poder ficar seis meses ajudando os Rohingya.

 

Mas Deus tinha outros planos.

 

Devido a impeditivos além de seu controle, Ariela, não conseguiu trabalhar diretamente com os refugiados Rohingya. Perseverando em orações por dois meses, Ariela, uma noite pediu a Deus: “Senhor, permita que eu consiga a permissão, ou mostre-me uma alternativa, pois creio que eu não conseguirei ficar, apenas, esperando, sem fazer a obra que eu vim aqui fazer. ” 

 

No dia seguinte, Ariela, recebeu um comunicado do escritório da OM Argentina, perguntando se ela consideraria ajudar os refugiados da Servia ou Grécia. ” Nunca tinha me ocorrido essa possiblidade, mas eu senti como se tivesse sido uma resposta de Deus às minhas preces da noite anterior, ” explicou Ariela. “ Decidir, então, ir para a Grécia. “

 

 

Grécia

 

No seu primeiro dia na Grécia, Ariela, foi convidada para unir-se a um grupo de mulheres e famílias de uma praia local. “Estávamos em uma praia de turistas. Mesmo vestidos com mangas longas e muita roupa, eu os ensinei a nadar. Foi muito divertido, “ recorda-se Ariela. “Naquele dia, eu entendi que Deus tinha mudado meus planos de ajudar as pessoas do Oriente Médio. De qualquer modo, havia muitas coisas em comum entre as duas culturas, e, eu, percebi que poderia me acostumar com elas. ”

 

Ariela ficou dois meses na Grécia sendo voluntária em muitos ministérios. “Eu ajudei em uma igreja onde eles desenvolvem trabalhos assistenciais: distribuição de almoços duas vezes por semana, doação de roupas, ajuda com documentos, etc. Esse local era sensacional. Eu também brinquei com crianças de três a cinco anos, enquanto seus pais tinham aula de inglês. Duas vezes por semana eles faziam um devocional e Deus agia tremendamente.

 

Esses refugiados vinham de países nos quais cristãos não podiam, livremente, compartilhar o Evangelho. Mas na Grécia, há mais liberdade para se falar de Deus. Esses refugiados, então, acolheram o Evangelho ao invés do contrário, ” disse Ariela.

 

 

Sérvia

 

Quando deixou a Grécia, Ariela foi para a Sérvia, para um acampamento perto da fronteira com a Croácia. Grande parte dos refugiados lá eram do Irã, Afeganistão, Nigéria, Paquistão e Somália.

 

“Fomos capazes de compartilhar com eles sobre o Amor de Jesus’ com eles, ” Ariela se recorda. “Estávamos em um campo de refugiados, logo, não podíamos ter reuniões. No entanto, os refugiados nos perguntavam: ‘Por que vocês estão nos ajudando? ’ Assim pudemos dizer que era por causa do amor de Cristo por eles. Eu tive condições de ter ótimas conversas com o pessoal de lá. ”

 

Ariela, em especial, fez amizade com uma garota de 16 anos, do Irã, que, com sua família, estava esperando para irem para a Alemanha. “Ela estava preocupada por que seu irmão estava tentando cruzar a fronteira e chegar à Alemanha, o que poderia ser perigoso. ” Lembra-se Ariela. ‘ Essa garota veio até mim e disse: Eu quero orar pelo meu irmão porque eu sei que Jesus atende ao povo cristão. ’ Ariela disse: ‘ Sim, ’ Mas eu também sabia que Deus estava dizendo para mim: ‘ Você precisa falar para ela de Mim, porque seu coração está pronto para ouvir sobre Mim.

 

“Nos tornamos amigas e eu dei para ela o Evangelho de João. Um dia ela disse: ‘ Você realmente é uma boa pessoa. Eu quero tornar-me cristã, assim como você. Também quero morar num lugar melhor. E, quando eu chegar à Alemanha, quero ser membro de uma igreja.'

 

“Foi muito difícil me separar dela. Ela era muito inteligente e tinha aprendido inglês só por conversar com as pessoas. Por ser uma refugiada, ela não podia ir para a escola e seu pai não podia trabalhar. Eles pararam no tempo. Tinham sonhos como todo mundo, mas lá, no campo de refugiados, não tinham futuro nenhum.

 

“Eles eram do Irã, que está entre os dez países que mais perseguem cristãos no mundo. É difícil para as pessoas do Irã ouvirem falar do Evangelho e, igualmente, para as pessoas se converterem. Por qualquer tentativa de negarem a fé islâmica, eles podem ser presos ou até mortos. No entanto, por estarem em um campo de refugiados na Europa, isso queria dizer que eles estavam em um local com liberdade e segurança; onde podiam ouvir sobre o Evangelho e ver, ou tocar, pela primeira vez, uma Bíblia.

 

“Oro para que ela encontre paz e esperança, porque, sem Jesus, eles estão perdidos, igualmente, para que eles encontrem um lugar melhor; onde seu pai possa trabalhar e ela possa ir para a escola. “

De volta à Argentina

 

Desnecessário dizer, que a viagem de Ariela não foi como ela imaginava. Ela acabou indo para sete diferentes países, em sete meses, inclusive fazendo um treinamento para lidar com desastres, na Alemanha. Sobre não ter conseguido trabalhar com os Rohingya, Ariela disse: “É como se Deus me dissesse: ‘Você ainda não está preparada, mas isso não quer dizer que no futuro não esteja. Quando a guerra terminar os refugiados pararão de vir e será mais difícil chegar a eles. ‘

 

Eu tenho a sensação de que Deus não irá me colocar em um, só, lugar pela vida inteira. Deus está tentando me ensinar a ser flexível e, sobretudo, ter fé de que ele está no controle. No fim, é uma questão de descansar Nele.

 

De volta a Ushuaia, Ariela está se preparando para retornar à Sérvia, dessa vez em um trabalho por um longo período. “ Há tantas oportunidades para servir no acampamento. Recentemente, eu ouvi que até mesmo uns poucos Rohingya tinham chegado lá! ”

 

Quando Deus a chamou para missões, aos 15 anos, Ariela, nem podia imaginar as mudanças em sua vida. Ocorreu a mesma coisa, quando ela deixou a argentina para ir para Bangladesh. Mas por meio de cada surpresa, ou desafio, Deus estava com ela cada pedaço do caminho – ajudando-a a escrever a maior, e mais linda, estória que ela jamais poderia conceber.

 

Texto original aqui

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilharem o conhecimento de Jesus e seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar um objetivo em mais de 110 países.

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