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Discipulado diário

January 4, 2019

Por Nicole James

Tradução de João Marcos Hansen

 

“Eu já fui a alguns casamentos da Ásia Central,” disse Ruthie* enquanto passeava pelo parque passando pela sétima noiva posando para as fotos oficiais do casamento antes de ser levada para a cerimônia. As núpcias tradicionais duram alguns dias e consistem e vários eventos e rituais, com algumas das pessoas sendo convidadas a uma ou mais partes, dependendo do quão próximo são da noiva, ela explicou.

 

“Em alguns casamentos, eu estava ali só pela cerimônia. Mas com a Maya*, eu estava por causa de tudo.”

 

Ruthie conheceu Maya antes de se casar, em um dos poucos e pequenos grupos de cristãos no país 99% muçulmano onde vivem. Ela e seu marido, Karim*, tinham se mudado para lá para compartilhar do amor de Deus com as comunidades que não tinham acesso ao evangelho e queriam estabelecer parcerias com cristãos locais. Maya e, eventualmente, o seu marido, Jad*, se encaixavam naturalmente.

 

“Estávamos falando sobre lições de saúde e sobre como podemos crescer no ministério,” Maya se lembrou de seu contato inicial. “Lentamente nós nos aproximamos dessa família, Karim e Ruthie. Agora somos muito próximas, como irmãs.”

 

“Nos encontramos regularmente, oramos uma pela outra, sabemos das dificuldades que temos ou que eles têm, nos ajudamos... Então se em nossa família, meu marido e eu, se temos alguma dificuldade, qualquer pergunta, nós vamos até eles.”

 

Enquanto atender ligações de emergência no meio da noite, orar e aconselhar um ao outro seja parte de qualquer amizade próxima, Ruthie e Karim tem outra palavra para o seu relacionamento com Maya e Jad, bem como três outros casais em sua comunidade: discipulado.

 

Ruthie e karim se encontram regularmente com quatro outros casais - todos de diferentes grupos - para oração, leitura das Escrituras, prestação de contas, treinamento e planejamento estratégico. “Estamos compartilhando nossas vidas diárias com eles e lhes perguntando como estão,” Karim disse.

 

Eles aprofundam a conexão ao permitir que “falem em nossas vidas e tendo permissão para falar na deles,” Ruthie acrescentou. “Nós nos fazemos disponíveis a eles, aproximáveis.”

 

Essa disponibilidade é direcionada não apenas ao crescimento dos casais, mas também ao da igreja emergente na Ásia Central. “Tentamos ser modelos, ‘como somos com vocês, vocês precisam ser com os outros,’” Ruthie disse.

 

“Um cos casais, eles tinham um problema juntos e nos ligaram à meia noite,” Karim se lembrou. “Nós fomos para lá; eles tinham muitos problemas. Disseram, ‘Não sabemos o que fazer’... Nos ajoelhamos juntos... O Espírito Santo moveu e ambos começaram a confessar dos dois lados.”

 

Outro par, Ahmed* e Hannah*, recentemente tiveram outra filha - um golpe em Ahmed que tinha orado com fervor por um primeiro filho. Apesar do desejo de Ahmed de seguir a Jesus, “era uma época muito difícil,” disse Ruthie. “Quando eu falei com a sua esposa, ela disse, ‘Ahmed mudou completamente agora. Ele está brigando em casa, na frente das meninas, ele não era assim.’”

 

“Quando eu ouvi que minha filha nascera... eu tinha acabado de chegar. Era de noite, eu estava sozinho e comecei a chorar batendo no chão,” Ahmed compartilhou. Ele perguntou a Deus, “Por que o senhor não está me dando um filho? O que quer de mim? Por que estás quieto, desde que minha esposa engravidou? Por que não está respondendo as minhas perguntas?”

 

Durante esse tempo, Karim levou Ahmed para fora da cidade por alguns dias para orar e processar sua decepção. Depois de voltar para casa, Ruthie checou com Hannah novamente. “Ele é uma pessoa diferente,” ela confirmou.

 

Quando sua filhinha estava com alguns meses de idade, Ahmed e Hannah levaram suas outras filhas para acompanhar Karim e Ruthie num passeio a um lago próximo. Ahmed abraçou suas filhas, jogou água nelas e, à noite, limpou alguns peixes tirando os espinhos para dar a elas - atividades paternas que não foram modeladas em sua infância (seu pai trabalhava em outro país e só passava duas semanas em casa todos os anos) nem em sua cultura geral.

 

“Homens da Ásia Central não abraçam seus filhos, mas vimos os casais cristãos cuidando de seus filhos,” Karim explicou. “Pais, eles sabem que essa não é apenas a responsabilidade da mulher.”

 

“Lentamente, Deus me deu forças e me explicou que cada uma de nossas filhas é especial. Elas nasceram para Deus, não para mim. Deus as criou para si mesmo, para a Sua glória, para o Seu trabalho na terra. Eu sou só o pai delas. Preciso cria-las do jeito certo,” Ahmed compartilhou.

 

Muito do discipulado é viver junto, usando os desafios para direcionar pessoas a Jesus e encorajá-las a compartilhar o que aprenderam com os outros nas comunidades ao seu redor.

 

Como estrangeiros, Ruthie e Karim reconhecem que sua influência é limitada. “Somos muito bons em compartilhar, mas e o prosseguimento? Estamos pensando, como damos continuidade? Descobrimos que precisamos de pessoas locais ao nosso redor,” Karim explicou. “Para desenvolver comunidades vibrantes de seguidores de Jesus, precisamos ver o corpo de Cristo na imagem maior.”

 

Isso significa que cristãos nacionais precisam liderar o ministério. No grupo semanal de mulheres, aquelas que são discipuladas por Ruthie dão aulas e facilitam estudos de descoberta da Bíblia. Elas aprendem como incluir não-crentes na discussão e a desenvolver amizades com aqueles que estão buscando a verdade.

 

Com o ministério de homens e o ministério de jovens, Karim também aponta para os cristãos nacionais para falaram de saúde, compartilhar devocionais e continuar com as pessoas interessadas. Através da vida diária e ministério lado-a-lado, Karim e Ruthie tem visto o crescimento dos casais que eles discipulam.

 

Karim relatou que eles viram casais superarem o medo sobre como falar com a família sobre sua fé e como responder suas questões de uma perspectiva bíblica. Eles também estiveram aprendendo como usar ferramentas, como ministério com esportes e encontros de mulheres, para impactar a sua comunidade. Eles reconhecem como o discipulado é importante e como esse problema de paternidade pode mudar a comunidade.

 

“Acredito que este é o amor de Cristo sendo derramado em suas vidas para espalhar o amor de Cristo em sua comunidade,” Karim disse. “Vimos que não somos nós, é Deus. Jesus está lhes dando ousadia. Isto está crescendo em suas vidas. Confiando no Senhor, a sua fé aumenta.”

 

A igreja na Ásia Central é jovem e os cristãos - todos na primeira e segunda geração da fé - precisam de discipulado. Ore para que cresçam no seu conhecimento da Palavra de Deus e que a oração e os estudos bíblicos possam se desenvolver. Ore por maturidade e ousadia para os cristãos nacionais compartilharem da sua fé com as suas comunidades. Ore pelos trabalhadores da OM para que continuem compartilhando a sua jornada com novos cristãos e para acrescentar muitos mais ao reino de Deus.

 

*Nomes alterados por motivos de segurança

 

Nicole James é uma escritora internacional pela OM, apaixonada por publicar histórias do trabalho de Deus entre as nações e contando às pessoas sobre as coisas maravilhosas que Ele tem feito ao redor do mundo.

 

Texto original

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilharem o conhecimento de Jesus e seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar um objetivo em mais de 110 países.

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