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“Crocodilos” e Cafés

December 7, 2018

Por Nicky Andrews

Tradução de Rodrigo Mendes

Revisão Eunice L G Amaro

 

Um dia normal de primavera em uma das principais cidades da Albânia tem rodovias empoeiradas cobertas por árvores frágeis, lojistas alertas para clientes que passam, cães de rua cochilando à sombra de carros estacionados. Nos muitos cafés nas calçadas, homens de todas as idades bebem suas bebidas e veem o mundo passar. Música de fundo com sabor de ritmos turcos. Nas manhãs de quinta-feira, no entanto, há uma diferença: toda semana, um grupo especial de pessoas passa animadamente pela cidade até um café local, caminhando dois a dois em formação de "crocodilo", virando as cabeças com tanta certeza quanto um réptil real ...

 

 

Pessoas escondidas aparecem

 

Em uma cultura que, anteriormente, evitava os deficientes por medo e ignorância, alguns espectadores podem achar esse "crocodilo" igualmente assustador.

 

O "crocodilo" é composto por doze crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem moderadas ou graves, algumas confinadas a cadeiras de rodas por deficiências físicas, todas seguras pelas mãos (ou tendo a cadeira de rodas empurrada) por membros de uma igreja local, ou da OM Albânia, esse ministério de misericórdia. A dúzia de ajudantes também inclui um cuidador do Centro de Desenvolvimento administrado pelo estado onde esses jovens moram, uma das oito instituições desse tipo na Albânia. Enquanto alguns pais visitam seus filhos no centro, alguns dos residentes são órfãos. Outros têm pais que os abandonaram ou que não puderam fornecer o apoio e os recursos de que as crianças precisavam, pois os serviços sociais fornecem muito pouca ajuda.

 

Deixando o centro por volta das 10 horas, o "crocodilo" leva a quinze minutos a pé para chegar ao seu destino - um café tranquilo, onde, com todas as cortesias, o simpático proprietário Blerim* empurra as mesas e cadeiras para acomodar suas duas dúzias de convidados, ajusta guarda-sóis e recebe pedidos de bebidas.

 

Agora, os jovens e seus amigos, podem relaxar juntos pela próxima hora, mastigando lanches, cantando e rindo alto e aproveitando o sol quente. É o destaque da semana para esses jovens. Para muitos deles, sua única experiência do mundo fora de sua instituição durante uma semana normal. Depois de cerca de uma hora, todos se despedem de Blerim e seu café e começam a caminhada de volta ao Centro, dois a dois.

 

 

Outros que ainda não são vistos

 

De volta ao interior do Centro, outra rodada de despedidas acontece. Desta vez para os ajudantes. Outros jovens, que nunca saem às quintas-feiras, observam e não compreendem plenamente. Suas deficiências são muito severas, seus comportamentos são muito imprevisíveis para que eles participem da experiência do café. As portas são trancadas de novo e o portão principal do muro externo se fecha por mais uma semana. Os voluntários que partem veem os rostos pressionados contra as barras de segurança nas janelas do andar de cima com vista para a rua. Esse é um momento difícil.

 

 

Maior envolvimento em perspectiva

 

Embora os membros do ministério de necessidades especiais da OM Albânia visitem o Centro há seis anos e tenham visto muitas melhorias nas condições de vida dos residentes, a líder do ministério Sidorela sabe que é possível, com as intervenções certas, que muitas das crianças se desenvolvam ainda mais. "Aqui está um exemplo simples", diz ela, falando sobre uma das garotas, Besarta*, que, quando visitou o café pela primeira vez, costumava se sentar debruçada sobre a mesa, com o rosto quase em seu prato de salgadinhos. "Tudo que fizemos foi continuar levando-a e pedindo que se sentasse direito", lembra Sidorela. “Ela começou a sentar-se corretamente, sem que pedíssemos, e agora consegue se alimentar.”.

 

Com certeza, a maioria dos jovens precisa da intervenção de terapeutas especializados. O OMer que reiniciou o ministério no Centro Estadual e o desenvolveu como tem sido até agora era um professor de pessoas com necessidades especiais muito experiente, e, desde que ele saiu no ano passado, a equipe da OM perdeu sua percepção. Dois novos membros da equipe, no entanto, chegaram no início deste ano. Deasy, da Indonésia, é musicoterapeuta para crianças com necessidades especiais, enquanto Anna, da Alemanha, é uma especialista em necessidades especiais. Ambas começaram a trabalhar com os residentes no Centro, coordenando atividades e sessões de terapia para as crianças durante a semana.

 

A OM Albânia, em colaboração com outros parceiros, está trabalhando no fornecimento de algum treinamento terapêutico para melhorar as interações do dia a dia da equipe com os jovens.

 

Lentamente, a atitude geral em relação às crianças com necessidades especiais mudou, inclusive no mundo fora do Centro Estadual. A OMer Lisi falou, recentemente, com um homem com quem ela trabalha na igreja à qual a OM se associa nesse ministério. "Oh sim", ele respondeu, com um sorriso radiante: "Vocês são as pessoas que passam pela minha loja toda semana!" Ela sentiu a aprovação dos cristãos, pelo menos como eles demonstram o amor de Deus em ação para os jovens deficientes, como o "crocodilo", que passa pela cidade nas manhãs de quinta-feira.

 

*Nomes alterados para proteger a privacidade

 

Ore a Deus para que o diretor do Centro seja positivo sobre o envolvimento da OM e da igreja local com os jovens. Por favor, ore por sabedoria para as terapeutas Anna e Deasy, enquanto elas planejam fazer atividades terapêuticas para beneficiar os moradores. Ore para que os cuidadores se aproximem das oportunidades de treinamento com mente aberta. Louve a Deus porque algumas pessoas locais estão sendo afetadas por ver o amor de Deus em ação, como o lojista e o proprietário do café Blerim, cujos filhos foram, algumas vezes, à escola dominical na igreja. Ore para que mais corações sejam abertos para pessoas com deficiência e para o Deus que os ama.

 


A OM Albânia conta com  1 missionária brasileira atuando

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilharem o conhecimento de Jesus e seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar um objetivo em mais de 110 países.

 

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