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Do Afeganistão à Austrália

February 16, 2018

Por Nicole James

Tradução de Rodrigo Mendes

Revisão de Jéssica Ferri

 

Desde tinha oito anos de idade, Fred* fazia perguntas sobre Deus. "Quem é Deus? Por que não podemos ver Deus?", perguntou ao pai e ao avô certa vez.

 

"Ele vive no céu. Quando fazemos algo ruim, ele fica bravo. Se fazemos algo de bom, ele fica feliz conosco. Ele é gentil. Ele é misericordioso. Mas ele também é bravo", disseram-lhe.

 

 

"Ninguém realmente me deu uma boa resposta", lembrou Fred. "Ainda assim minha pergunta foi: Por que não posso vê-Lo?".

 

Jihad


 

Em 1978, a maioria do povo afegão começou a lutar contra o governo protestando em objeção à revolução e a ocupação pelo que Fred chamou de "exército vermelho", presença da União Soviética no governo e no exército afegão. "Nós o chamamos de jihad, que significa guerra santa", disse ele.

 

Fred, aos nove anos, viu seu tio e seus primos se juntarem a jihad. Ele era muito jovem para lutar, mas apoiava fortemente o grupo majoritário. Aos dez anos, Fred perguntou ao professor religioso em sua escola sobre como ver Deus. "Se algumas pessoas vêm para um país islâmico e começamos a jihad contra eles e somos martirizados... podemos ver Deus e ir para o paraíso?", ele queria saber.

 

"Exatamente", confirmou o professor.

 

Assim que se formou no ensino médio, Fred se juntou à maioria na milícia. "Esse foi o meu plano: ser um mártir e ir para o céu e ver Deus", explicou. Impressionados com a aptidão física e a bravura de Fred, os comandantes ofereceram-lhe uma posição na supervisão de 10 homens. Mais tarde, depois de completar um ataque sensível, eles o colocaram no comando de uma área de armazenamento de armas perto da fronteira iraniana.

 

Jesus no Alcorão
no alto das montanhas

 

Fred teve tempo de ler livros e estudar. Embora ele tenha lido o Alcorão anteriormente, ele não entendeu o árabe original. Agora ele tinha uma cópia do Alcorão traduzida para o próprio idioma. "Através do Alcorão encontrei Jesus Cristo", exclamou. "Todas as outras pessoas morreram, mas Jesus Cristo está vivo!".

 

"Quem é Jesus, filho de Maria?", perguntou Fred. Algumas semanas depois Fred teve um sonho. Uma pessoa vestindo um manto branco estava a sua frente do outro lado de um enorme abismo escuro. Fred não podia ver o rosto da pessoa. "Ele era como uma luz", ele descreveu. A pessoa disse a Fred: "Venha até mim. Venha até mim. Venha para mim", mas Fred não conseguiu superar o abismo entre eles.

 

No dia seguinte, Fred acordou muito confuso. Durante o café da manhã ele compartilhou seu sonho com o amigo, um mulá (professor islâmico). "Você teve um sonho realmente importante", disse o mullah a Fred. "Você viu o Mahdi, o último líder dos muçulmanos xiitas".

 

"Você será martirizado muito em breve", acrescentou. A interpretação e a profecia do mullah perturbaram Fred. Primeiro porque a pessoa em seu sonho não correspondia às descrições do Mahdi. Em segundo lugar, Fred queria encontrar a figura de seu sonho antes de morrer. "Eu estava bastante seguro de que Ele era Jesus Cristo", admitiu Fred.

 

Três dias depois o governo afegão atacou o posto de Fred. No meio da luta, Fred notou que um amigo havia sido baleado. "Retirei seu corpo sem vida de trás da metralhadora, me sentei e comecei a disparar", disse ele. No momento seguinte ele e a metralhadora explodiram.

 

Quando Fred acordou, estava em um hospital iraniano. "Da colina onde estávamos, vimos você caindo da sua colina, mas nós o encontramos no topo. Como você veio [para cima]?", perguntaram seus amigos.

 

"Eu não sei", Fred contou a eles. "Mas senti que alguma pessoa estava comigo, a pessoa que vi no sonho".

 

Viagem à fé


 

Três dias após da internação, Fred foi convocado pelos comandantes que pediram que ele voltasse à luta. Ele disse não. Eles lhe ofereceram mais dinheiro e uma posição mais elevada. Depois que Fred recusou esses incentivos, os comandantes usaram a vergonha. "Temos certeza de que você tem medo", o acusaram.

 

"Não, eu quero voltar para minha família", respondeu Fred. Ele se juntou a seus pais, que eram refugiados no Irã. Então ele começou a procurar por cristãos. Ele encontrou uma igreja e bateu na porta. Uma pequena janela se abriu. "O que você quer?", perguntou uma voz.

 

"Eu quero saber sobre Jesus Cristo", disse Fred.

 

"Vá embora", respondeu a voz. "Nós não temos tempo. Isso é muito perigoso”. A janela se fechou. Fred bateu novamente cinco vezes, persistiu até receber uma folha de papel com um número de telefone. Através desse número Fred contatou um homem cristão que o convidou para sua casa.

 

Esse homem tentou responder às perguntas de Fred sobre Jesus, “mas depois de alguns meses, eu era como um bebê de um mês na fé, mas [ele] me deu uma carne muito forte, comida muito pesada e isso foi difícil para mim", disse Fred. Ele, “disse Jesus Cristo, Filho de Deus". Embora o homem tentasse explicar, Fred não podia aceitar o conceito, rejeitando a teologia.

 

Mais tarde, Fred mudou-se a trabalho para Dubai. Nos 15 anos seguintes, "às vezes eu fui cristão, às vezes eu [fui] muçulmano, às vezes nada", disse Fred. "Mas nunca pude esquecer Jesus Cristo". Ainda assim, Fred sentiu Jesus perguntando: "Onde você está?".

 

Então Fred voltou para o Irã, casou-se e finalmente voltou para o Afeganistão. Lá, Fred geriu um dos negócios frequentados pelos ocidentais. Uma mulher se destacou, no entanto. Finalmente, Fred se aproximou dela. "Quem é você? Você é diferente", ele disse.

 

Ela respondeu, "Fred, eu sou cristã. Eu sou uma crente, uma seguidora de Jesus Cristo". "Todos os brancos são cristãos. Olhe alguns deles [usam] uma cruz!", disse ele. "Não Fred, nem todos os brancos são cristãos", ela respondeu. "Se não damos nossas vidas a Jesus Cristo, não somos realmente cristãos".

 

Não mais no silêncio

 

Em 4 de janeiro de 2004, Fred leu Mateus 10:32-33: "Quem me reconhece antes dos outros, eu também o reconheço antes de meu Pai no céu" (NVI). A passagem chocou Fred. "Eu era um cristão silencioso", disse ele. Ele acreditava em Jesus, mas tinha

receio de contar a sua esposa com medo de perder seus filhos. Por mais de duas horas, Fred ajoelhou-se no chão do escritório e chorou. Em sua mente ele viu sua vida passar como um filme. "Como eu sou ruim e como Jesus Cristo é bom comigo".

 

Quando ele saiu da sala, foi direto para seus amigos: "A partir de hoje eu sou um cristão. Quero falar sobre Jesus Cristo. Ele está vivo. Ele é o caminho certo!”.

 

Vários meses depois, a esposa de Fred, Mia*, também se tornou uma crente. Em 2005, no entanto, após uma perseguição severa, a família de Fred fugiu para o Paquistão onde passaram os sete anos seguintes. Durante esse período, Fred e Mia participaram da faculdade da Bíblia. Segundo ele, a escola era boa, mas a vida era perigosa. Às vezes, Fred simplesmente estacionava o carro do lado da estrada, assim sua família podia dormir.

 

Em 2011, depois de receber outra ameaça de morte, Fred solicitou asilo da ONU. Em oito meses, a família de Fred adquiriu vistos para a Austrália. "Desde o primeiro dia em que chegamos à Austrália, Deus nos usou como exemplo para nosso assistente social", Fred compartilhou. Quando Fred disse ao assistente social que ele era cristão, o homem perguntou se ele tinha uma Bíblia. "Sim, eu tenho uma Bíblia em seu idioma", disse Fred compartilhando a Palavra de Deus com o homem. Em 2014, Fred se juntou à OM Austrália.

 

“Deus está nos usando em toda parte da Austrália para chegar aos muçulmanos”, ele exclamou. "Louve ao Senhor por essa oportunidade que Deus nos deu!".

 

*Nome alterado

 

Nicole James é uma viajante mundial e escritora da OM International. Ela é apaixonada por fazer parcerias com os crentes para comunicar as formas como Deus está trabalhando em todo o mundo.

 

 

Texto original aqui.

 

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

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