NOTÍCIAS

Da morte à vida

February 3, 2018

Por Nicole James

Tradução de Rodrigo Mendes

Revisão de Jéssica Ferri

 

Escondido nos cantos da cidade - acampado em um banco de parque sombreado, deitado debaixo de uma árvore frondosa, encolhido em um viaduto para pedestres, isolado atrás de edifícios - pessoas sem-teto na Ásia Central são marginalizadas entre os povos menos alcançados.

 

Um punhado de seguidores de Jesus, trabalhadores da OM e parceiros locais da igreja, comprometeram-se a cuidar dos homens e mulheres que encontraram nas ruas em uma cidade da Ásia Central. Todas as semanas eles preparam pacotes simples de comida no início da manhã e depois passam de duas a três horas andando pela área e limpando os lugares frequentemente ocupados por pessoas sem-teto, distribuindo sustento e incentivo para quem mais precisa.

 

‘Quantas pessoas devem morrer antes de alguém começar um ministério?’

 

Clara*, uma trabalhadora da OM de longo prazo já vivia há quatro anos na Ásia Central, quando notou um homem implorando na frente ao prédio em que morava. Ela se aproximou do homem e ofereceu ajuda, mas ele não queria ir à reabilitação e continuou gastando o pouco dinheiro que conseguia em álcool. Eventualmente, o homem morreu. "Não consegui ajudá-lo", lembrou Clara.

 

O incidente a abalou. "Quantas pessoas devem morrer nesta cidade antes que alguém comece um ministério para pessoas sem-teto?", se questionou a jovem.

 

Clara começou a orar pelos sem-teto da cidade. Logo, outro trabalhador se juntou a ela e deu-se o início de um pequeno grupo. "Toda vez que nos encontramos oramos por coisas diferentes. Eu sempre pedi que Deus abrisse os olhos da igreja para os sem-teto", disse Clara.

 

Depois de um tempo outro amigo apresentou Clara a Sezim* (agora seu marido). Juntos, eles se relacionaram com um grupo da igreja já envolvido em fornecer comida para pessoas sem-teto. "Comecei a cozinhar em casa todos os tipos de comida", disse Clara. A partir daí o ministério se transformou em um movimento.

 

Alguns de seus amigos locais se juntaram à divulgação semanal com pessoas que conheciam de outras diferentes igrejas. Para o aniversário de Clara naquele ano, ela convidou os amigos, mas disse a eles que não levassem o chocolate ou as flores tradicionais como presentes. Em vez disso, ela pediu a que eles abençoassem os sem-teto. De meio-dia a meia-noite, os amigos de Clara passaram por sua casa levando roupas e sapatos doados.

 

"Minha varanda estava cheia", lembrou Clara.

 

Durante esse primeiro inverno, Clara percebeu que fornecer comida e roupas não era suficiente. As pessoas desabrigadas precisavam também de abrigo contra o frio extremo. "No inverno, [muitas pessoas sem-teto] ficam bêbadas. Elas dormem em tubos de aquecimento e não sentem que estão sendo queimadas", explicou Clara. "Muitos morrem por causa de problemas de frio ou álcool".

 

Em janeiro de 2014, o ministério informal dos sem-teto alugou uma casa para abrigar essas pessoas. "Nós não tínhamos nada no início, não tínhamos dinheiro suficiente e não sabíamos qual o plano - mas Deus nos abençoou", disse ela.

As igrejas doaram móveis usados e a OM contribuiu com as necessidades. "Esse foi o começo", afirmou Clara.

 

Desde então, Clara e a equipe transformaram abrigos físicos em igrejas. "Agora, há uma casa em uma aldeia para pessoas mais velhas e duas casas na cidade. Uma delas é para mulheres e a outra é para homens", observou. "Nós não estamos diretamente no comando, mas quando encontramos alguém na rua nós pedimos [ao abrigo] para levá-los. O ministério paga pelo quarto mensal e internato. Houve resultados positivos e negativos”, compartilhou Clara.

 

"Nós vimos pessoas vindo com alegria para ficar no nosso abrigo, mas elas partiram. Elas não queriam ficar na casa, elas queriam estar nas ruas. Mas também temos os testemunhos [de pessoas anteriormente sem-teto]. Deus os mudou e agora são uma benção para os outros".

 

 

Tudo é possível com Deus

 

Taras* sabia como orar antes de saber como ler. Quando estava crescendo, ele era “o mais novo e o mais amado" em sua família, ele descreveu. Mas quando tinha 15 anos de idade, sua mãe de repente ficou doente e morreu.

 

Em primeiro lugar, Taras procurou a liberdade, voltando-se para o álcool e as drogas. Então, aos 18 anos, mudou-se para outra cidade com seu irmão. "Comecei a trabalhar em um mercado e a ganhar um bom dinheiro. Porque eu tinha dinheiro, comecei a usar mais drogas", disse ele.

 

Aos 20 anos Taras era viciado em álcool e drogas. Ele tentou parar, mas faltou a força de vontade para mudar sua vida. "Quando eu tinha 29 anos eu perdi tudo. Não tinha documentos. Perdi meu relacionamento com minha família. Eu estava nas ruas vivendo como sem-teto por três anos", disse ele.

 

Durante esse tempo, Taras encontrou maneiras de ganhar dinheiro para o álcool e um pouco mais. Depois de uma noite de festas com amigos em uma aldeia a cerca de 10 km de onde ele ficava, Taras e seus companheiros se perderam. Eles discutiram sobre o caminho de volta e se separaram. "Naquela noite, estava muito frio", lembrou. "Na estrada havia uma camada de gelo de 15 cm de espessura".

 

Eventualmente, Taras encontrou seu caminho de volta, mas percebeu pela manhã que lhe faltava um dos sapatos. Um homem que contratou Taras para o trabalho o levou para o hospital. Como Taras não tinha documentos de identificação, o hospital não poderia fornecer o tratamento necessário.

 

Depois de dois dias Taras voltou às ruas. Por uma semana ele foi de hospital em hospital na cidade procurando um lugar em que o ajudassem. "Porque eu não dormi durante toda a semana tive algumas alucinações. E naquele momento, lembrei-me de Deus", disse ele.

 

Taras orou novamente pedindo a Deus que o ajudasse a morrer com dignidade. Então Sezim e uma migo o encontraram. "Eles realmente queriam me ajudar", ele lembrou. Eles o tiraram das ruas, deram banho e roupas novas e ouviram sua história. "Deus ama você", disseram-lhe.

 

"Como Deus pode me amar se eu ainda estou nesta condição e preciso de ajuda?" Taras dizia. Clara e Sezim encontraram o irmão de Taras. Então, com sua ajuda, eles internaram Taras em um hospital. "O médico disse que eu não sobreviveria à cirurgia". Na verdade, ele não sobreviveu a uma, mas a três cirurgias - em que os médicos amputaram nove dedos e as suas duas pernas.

 

"Queria terminar minha vida, me matar", lembrou ele ao acordar do procedimento. "Mas, mesmo naquele momento, não pude fazê-lo". Taras ficou no hospital por algum tempo, recuperando-se e lendo vários livros, incluindo o livro cristão "Volte para casa".

 

"Eu estava lendo sobre o filho pródigo quando ele voltou para o pai e eu sentia o mesmo - que queria voltar para o Pai", disse Taras.

 

"Naquela noite eu sabia que tudo seria diferente. Quando saí do hospital eu estava livre de cigarros, de álcool e drogas. E comecei a ler a Bíblia”.

 

A mudança não aconteceu do dia para a noite, mas com o apoio de Clara, Sezim e outros crentes, Taras refez a paz com Deus e sua família. Ele aprendeu a escrever com o dedo da mão esquerda e frequentou a escola bíblica. Lentamente ele voltou a aprender a realizar as atividades diárias, incluindo a dirigir. Hoje ele se oferece para participar de acampamentos juvenis e compartilha seu testemunho com outros. "Eu sou diferente de muitas pessoas, mas posso dizer que minha vida tem um propósito", afirmou. "Se alguém me dissesse há três anos e meio que eu viveria, eu diria: 'Você mente. Isso não é possível. Mas eu sei que com Deus tudo é possível".

 

*Nome alterado por segurança

 

Texto original

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

Compartilhar
Compartilhar
Curtir
Please reload

Notícias em destaque

Lutando contra a pobreza do conhecimento bíblico

May 31, 2019

1/7
Please reload

Notícias recentes