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Flores selvagens no deserto

December 30, 2017

 

Por Nicole James

Tradução de Rodrigo Mendes

Revisão de Jéssica Ferri

 

Em meados de outubro o deserto do Oriente Médio havia queimado por meses cobrindo tudo, estradas e ruínas, com uma poeira fina em tom sépia. É difícil imaginar algo que brote da areia queimada no verão - "é literalmente apenas marrom", descreveu a trabalhadora de longo prazo Sally*. Mas nos últimos dois anos a paisagem tem sido o pano de fundo para transformação.

 

Através de viagens semanais para aldeias remotas, passando ocasionalmente por camelos e rebanhos de ovelhas, além das horas passadas no chão com as famílias no programa de reabilitação com base na comunidade na qual é voluntária, Sally evoluiu em sua capacidade de amar as pessoas.

 

Dez fotos dispostas em um círculo em uma das paredes do apartamento de Sally mostram o maior catalisador para sua mudança de coração: as crianças.

 

Dentro da sociedade da honra-vergonha, as crianças são muitas vezes escondidas por causa de seus diagnósticos: paralisia cerebral, síndrome de Down, distrofia muscular de Duchenne, microcefalia, encefalopatia, lisencefalia. No entanto, Sally e sua colega de trabalho Melody* reconhecem as personalidades individuais das crianças.

 

"Cada um deles tem um caráter diferente ou personalidade peculiar", disse Melody. "O que eu mais amei no ano passado foi descobrir quem eles eram como pessoas... Essa foi a parte divertida sobre trabalhar com eles, mostrando-lhes o próprio valor e encorajando-os a sair de suas conchas".

 

Rahman*, uma das crianças mais antigas do programa, pode escrever todo o alfabeto árabe e resolver alguns problemas de matemática. "A coisa favorita para perguntar a ele é... [ir] a escola", compartilhou Melody.

 

Said* tem cinco irmãos mais novos. "Assim que alguém novo chega, eles se agarram a você", explicou.

 

Farouq* tem uma "linda e pequena voz"; Ali* ama jogos; Khaled* é divertido para se trabalhar; e Omar* gosta de bater em tambores improvisados feitos de recipientes de iogurte vazios, disse Melody.

 

Cedendo e crescendo

"Deus tem usado muito as crianças para nos abençoar", afirmou Melody. "Nós viemos e esperávamos encorajar e abençoar eles, mas eles também estão nos encorajando".

 

O objetivo final do projeto é que as crianças com deficiência contribuam com a comunidade. No entanto, nem Sally e nem Melody se juntaram a OM Near East Field por causa do programa. Sally disse que tinha sido tocada pelo que tinha visto do projeto durante uma viagem anterior e queria se voluntariar durante seus dias de estudo da língua e cultura. Melody desejava uma maneira natural de se manter conectada à comunidade.

 

"Desde lá, Deus mudou meu coração com essas crianças", reconheceu Sally.

 

Durante quatro meses, um terapeuta ocupacional que trabalhou com o projeto mostrou a Sally e Melody como fazer exercícios com as crianças.

 

"Nós estávamos passando por uma grande curva de aprendizado", Sally lembrou. "Eu sou uma pessoa muito preto no branco. As coisas precisavam acontecer na hora... Eu precisava saber o que estava acontecendo, o que iria acontecer a seguir, particularmente com os diferentes exercícios, qual seria o plano".

 

A vida na aldeia, porém, é tudo, menos planejamento.

 

Durante a primeira semana, Melody fez algumas visitas por conta própria usando um carro emprestado.  O alarme continuou sendo desligado, sem um diploma de medicina profissional, ela lutou para estabelecer-se como uma figura de autoridade nas casas.

 

Como as mulheres continuaram a visitar as famílias e a rever os exercícios com as crianças, no entanto, elas também se tornaram filhas e irmãs. "Durante as duas ou três horas que você está com a família, você faz parte da família. Você faz os exercícios, você come com eles, você brinca com os outros filhos. Você chora com eles. Eles se tornam parte de quem você é", disse Sally.

 

"Eu me tornei mais gentil e suave por causa dessas crianças. Eu não posso dizer coisas específicas sobre exatamente o que aconteceu... Para mim são mais momentos em que vejo progresso... Essas são pequenas coisas, mas que são tão encorajadoras com essas crianças", ela se entusiasmou. "Onde não havia nada antes, de repente você vê mudanças".

 

"É por causa delas que Deus abriu oportunidades para que a verdade seja compartilhada com essas famílias, para orar por essas crianças ou cantar músicas de Jesus com elas", acrescentou. "Eu fui desafiada a amar as pessoas incondicionalmente com base em como eu fui amada por essas crianças".

 

Temporada de tristeza

Seis meses depois uma das crianças faleceu. Um ano depois mais dois morreram num período de uma semana um do outro. "A única coisa que eles não lhe dizem em treinamento é o quanto você se apaixonará pelas pessoas que você vai servir", observou Sally. "Foi nessa fase em que percebi que a profundidade da dor que você experimenta é a equivalente a profundidade do amor que você doa".

 

Quando as mulheres visitaram uma das mães das crianças, elas oraram por ela. No funeral, Sally e Melody distribuíram fotos do menino entre aqueles reunidos, lembrando de sua vida e realizações. "Nós pudemos chorar com eles, mas ao mesmo tempo nos conectar com as crianças", disse Melody. "Foi um belo momento de compartilhar a vida com a família. É assim que compartilhamos quem é Jesus, compartilhando os altos e baixos da vida e orando com eles e deixando eles serem o que são".

 

O deserto floresce

Quando Sally entregou sua vida a Deus há seis anos, ela pediu ao Senhor: "Quebrante meu coração pelo que quebranta o seu”, disse.  "Por causa do meu passado, eu sempre fui muito forte", ela compartilhou . "Essas crianças trazem vulnerabilidade ao meu coração e isso traz suavidade. Você começa a florescer".

 

"Eu a vi suavizar e relaxar e confiar que Deus iria fazê-lo, mas fazer de Sua maneira. Eu acho que ela ficou surpresa com a forma como o Senhor lhe deu um amor tão profundo pelas crianças", afirmou o líder da equipe de Sally. "A maneira como ela é em torno das crianças é linda. Ela é espontânea, relaxada, ela está amando-os”.

"Aqueles que semeiam com lágrimas colherão com canções de alegria. Aqueles que saem chorando, levando sementes para semear, retornarão com canções de alegria."- Salmo 126: 5-6 (NVI).

 

Essa passagem dos Salmos é o lema de Sally. “Servir é um trabalho árduo, não é um solo fácil de cultivar”, disse ela. "Mas eu cresci tanto vendo Deus fazer o Seu trabalho... Deus me mostrou coisas pequenas e bonitas através dessas crianças. Eu aprendi a gratidão”.

 

Ansiosa, Melody se antecipou em uma equipe mais completa para a primavera. "Eu sei que cada nova temporada é diferente", ela pensou. "Estou animada para tentar coisas novas na aldeia e para chegar à comunidade e poder me conectar com a comunidade... As pessoas sabem quem somos. Vamos ver até onde podemos ir, tanto com o projeto quanto para compartilhar, quebrando essas paredes. [Ore] para que comecemos a ver frutos."

 

"O mais lindo é ver a primavera", disse Sally. "Para ver o deserto em flor”.

 

*Nome alterado por segurança

 

Nicole James é uma viajante mundial e escritora da OM International. Ela é apaixonada pela parceria nos campos para comunicar as formas como Deus está trabalhando em todo o mundo. 

 

Texto original.

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

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