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Nós ficamos sem Bíblias

December 24, 2017

 

Por Hannah Rueber

Traduzido por Rodrigo Mendes

Revisão: Jéssica Ferri

 

Hannah Rueber (EUA) trabalha como jornalista na equipe da OM Irlanda, mas ocasionalmente se junta ao Departamento de Juventude para promover programas de educação religiosa em várias escolas em todo o país. Os tópicos incluem assuntos relevantes para os alunos como a identidade. O programa sempre tem uma mensagem do evangelho, o que permite com que a equipe compartilhe mais sobre o porquê eles fazem o que fazem. Às vezes, a equipe tem a oportunidade de compartilhar diretamente o evangelho através de um programa chamado “Quem é Jesus?”, que analisa os fundamentos de quem é Jesus e porque Ele é relevante hoje. Hannah compartilha sua história de apresentação desse programa a dois grupos de estudantes do primeiro ano.

 

Eu admito que estava nervosa. Na última vez em que estive em uma escola para um programa de retiro, meu primeiro grupo de crianças não foi agradável. Eu quase não conseguia fazê-las prestarem atenção e suas atitudes indiferentes e hostis não me ajudaram.

 

Portanto, encarar outro longo dia com um programa chamado "Quem é Jesus?" fazia com que eu estivesse um pouco nervosa sobre como eu lidaria com a situação.

 

O primeiro grupo era formado por 55 crianças. Não muito, mas o suficiente para criar pequenos grupos de oito crianças. O segundo grupo estava mais próximo de 70 crianças, exigindo um pouco mais de esforço para manter a energia de todos razoavelmente sob controle. Orei silenciosamente por uma maneira de me conectar com as crianças, para atrair seu interesse. Cada programa tinha quase três horas de duração e poderia ficar bastante difícil se perdêssemos o foco.

 

Felizmente as crianças ficaram felizes em fazer qualquer coisa além de seus estudos normais. Eles permaneceram quietos durante os vídeos e enquanto um líder estava falando com o grupo. Mas me preocupei mesmo com o pequeno tempo em grupo que teríamos.

 

No passado trabalhei com dois tipos de grupos: aqueles que estão dispostos a falar e aqueles que não estavam. Aqueles dispostos a ler a Bíblia e aqueles que não. Nosso objetivo é simplesmente fazer os alunos pensarem, ver que eles podem ler a Bíblia por si;

 

Alguns deles nunca tocaram numa bíblia antes. Alguns são curiosos e querem procurar os versos para nós, enquanto outros se encolhem e cruzam os braços como se a Bíblia estivesse prestes a explodir.

 

Havia pelo menos um aluno dos meus dois grupos que se ofereceu ansiosamente para encontrar e ler o primeiro verso da Bíblia para mim: João 3:16. Embora a minha primeira pergunta tenha sido sobre quem é Deus, ambos os grupos se prendiam ao fato de que crer em Deus significava alcançar a vida eterna. A partir daí surgiram discussões incríveis com perguntas mais profundas do que eu esperava para essa faixa etária. Em ambos os grupos não buscamos outros versos, mas passamos a maior parte do pequeno tempo em grupo fazendo perguntas e perguntas sobre Jesus e a Bíblia. Me surpreendeu perceber que essas crianças genuinamente queriam as respostas.

 

Todos irão para o céu? Por que há muitas religiões diferentes? Nós realmente temos alguma prova de que Deus é real? A Bíblia é excitante? Não poderia ser alguns trechos da Bíblia exagerados? Jesus realmente se levantou dos mortos?

 

Então chegou a hora de compartilhar meu testemunho. Eu não tenho uma história trágica como algumas pessoas, mas sei que eu tive alguns momentos não tão ideais nos meus dias mais jovens que podem ecoar nessas mentes jovens. Eu também precisava compartilhar o evangelho tão descaradamente quanto pudesse. Então afirmei que eu costumava ser uma terrível mentirosa e que minha língua mentirosa estava destruindo meu relacionamento com Deus. Enquanto eu compartilhava, eu tentava olhar ao redor e ver se alguém estava se identificando com o que eu dizia. Mesmo que quase todos estivessem fazendo contato visual e me ouvindo, eu não sabia se eu tinha tocado no coração de algum deles.

 

Durante o nosso primeiro programa oferecemos Bíblias para as crianças levarem para casa, se quisessem. Nós oferecemos o mesmo em outros programas escolares, mas ninguém se interessou. Suspeitamos que nesse dia ocorresse o mesmo.

 

As crianças do meu grupo se voltaram para mim: as Bíblias são grátis? Elas poderiam ficar com as Bíblias? Elas precisariam assinar alguma coisa para receber uma? Quando eu expliquei que nós estávamos dando as Bíblias sem compromisso, seus rostos ficaram iluminados.

 

Após o programa, como a maioria das crianças estavam saltando para fora da sala, alguns vieram para frente para pedir uma Bíblia. Distribuímos todas as 12 Bíblias da nossa caixa, incluindo as que usamos nos nossos pequenos grupos! Mais crianças queriam sua própria Bíblia, mas não tínhamos mais nenhuma. Nós prometemos levar mais Bíblias na próxima vez que fôssemos à escola. Três das oito crianças do meu grupo partiram com uma Bíblia nas mãos.

 

Meu segundo grupo fez muitas das mesmas perguntas que o primeiro grupo. Mais deles estavam interessados em procurar um verso na Bíblia, mesmo que fosse em um aplicativo no meu telefone. Eles ainda não tinham lido a Bíblia por si, mas eles queriam fazê-lo agora. Eles fizeram perguntas difíceis e não ficaram envergonhados com as minhas perguntas. Encontramos um consenso sobre respeito mútuo pelo tempo um do outro.

 

Quando estávamos nos preparando para sair, todos nós subindo na van, dois estudantes vieram atravessando o estacionamento. Estávamos fora da escola após o programa e eles estavam entusiasmados. Cada um pediu uma Bíblia. Não tendo mais Bíblias conosco, prometemos levar mais em nossa próxima visita.

 

Como nossa equipe estava toda amontoada no carro, começamos a compartilhar pensamentos, comentários e histórias sobre o dia. Outro membro da equipe me disse que uma garota de seu segundo grupo havia chorado durante todo o tempo em que compartilhava meu testemunho. Alguém tinha chorado! Isso nunca aconteceu antes, mas claramente Deus estava trabalhando naquele jovem coração. Isso me deu esperança de que talvez eu tivesse alcançado pelo menos um estudante.

 

Observamos grupos de estudantes saírem da escola e entrarem em ônibus ou caminharem pela rua.

 

Nosso líder apenas sorriu.

 

"Há algo acontecendo nessa escola", disse ele. "É um milagre podermos fazer parte disso".

 

Texto original

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

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