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Inovação em Istambul

November 8, 2017

Por Nicole James

Traduzido por Rodrigo Mendes

Revisado por Jéssica Ferri

 

Quando o fundador da OM, George Verwer, começou o movimento como estudante universitário aos 20 anos, ele juntou alguns amigos e 10 mil Bíblias em um carro antigo e dirigiu para o México. Aqueles que se juntam à OM hoje preenchem formulários, participam de programas de treinamento pré-campo e frequentemente cumprem requisitos rigorosos para aprender linguagem e cultura antes de serem enviados aos seus países anfitriões.

 

Ao invés de equipes de pioneirismo, os novos recrutas da OM agora se integram às equipes existentes, onde ganham a experiência necessária e aprendem a compartilhar Jesus com os menos alcançados. Esse método organizado oferece responsabilidade e, muitas vezes, mentoria a missionários emergentes. No entanto, deixa pouco espaço para a tomada de riscos e inovação. O que acontece quando a liderança de Deus não segue o protocolo?

 

Convite para inovar

 

No verão de 2015, na escola de criação de igrejas (CP em inglês) da OM, os amigos Max*, Kelly* e Elena* - trabalhadores em seus 20 anos - experimentaram uma mudança na metodologia de suas missões. Juntos mudaram o foco de criar apenas uma igreja e começaram a pensar a respeito de iniciar um movimento de múltiplas igrejas.

 

"Olhando para o número [de igrejas] na Turquia e quanto tempo, dinheiro e esforço utilizávamos para criar uma igreja, pensamos: nós não temos tempo suficiente para isso!", Explicou Kelly.

 

Os trabalhadores da OM no mundo muçulmano são encorajados (ou requeridos) a frequentar a escola CP durante os dois primeiros anos no campo. Max, Kelly e Elena estavam perto da conclusão de seu primeiro período de dois anos em uma equipe de evangelismo de artes criativas quando eles viajaram para o treinamento.

 

"Um dos princípios que temos é que dentro dos dois primeiros anos [no campo] você precisa encontrar um lugar onde você poderá suportar uma equipe existente ou encontrar outra equipe que você possa fazer parte e cuja visão você pode compartilhar. Ou se você não pode fazer isso você começa uma nova equipe", explicou Macon*, que era o líder de campo da OM na Turquia na época.

 

Através de conversas com os três antes e durante a escola CP, Macon observou "uma espécie de descontentamento em seus corações" em relação ao seu ministério na Turquia. "Eu queria que eles verificassem primeiro se havia outro lugar onde pudessem participar, mas o Senhor realmente os levava para outro lado", disse ele. "Então eu os encorajei nisso".

 

"Macon nos perguntou: vocês querem começar uma equipe?", disse Max. "A princípio, nós pensamos em responder que não, porque nos parecia como um monte de trabalho".

 

No entanto, na medida em que continuaram na escola CP ouvindo exemplos de movimentos de discípulos (DMM) em todo o mundo, eles consideraram como eles poderiam aplicar os princípios ao seu contexto na Turquia.

 

Seis meses depois eles começaram uma equipe.

 

 

Milênios em missão

 

"No começo, eles estavam bastante nervosos", descreveu Macon. "Eu disse: se vocês querem começar uma nova equipe, estará tudo bem se vocês falharem".

 

"A única maneira de fazermos melhor e vermos os movimentos é sair, fazer as coisas de maneira diferente do que fizemos no passado e encorajar aqueles que querem fazê-lo".

 

Em 2015 a OM ainda não havia verbalizado sua missão de ver comunidades vibrantes de seguidores de Jesus entre os menos alcançados. Mas o objetivo de Max, Kelly e Elena de desencadear um movimento de igrejas multiplicadoras "se ajustou muito ao que queríamos fazer [em campo]", disse Macon.

 

Quando a OM divulgou sua declaração no ano seguinte, "foi como uma confirmação", explicou Kelly.

 

"Isso nos ajuda a moldar a visão de acordo com nosso pessoal em campo, que se perguntam como eles podem colocar essa visão em prática. Historicamente a OM tem capacitado os jovens. Foi assim que começamos: éramos um bando de estudantes universitários que saíram e decidiram que queriam mudar o mundo”, completa Elena.

 

Elena prossegue. “Quando chegamos ao campo tínhamos entre 25 e 26 anos e as pessoas nos confiaram novas responsabilidades. Em campo eu percebi que ficamos muito lentos em dar responsabilidade às pessoas que não se provaram, pessoas que não tinham experiência. Eu queria fazer algo diferente. Vamos dar às pessoas uma chance. As pessoas confiaram em mim. Quero dar confiança aos outros. Eu pensei que [deixar três millennials - pessoas nascidas por volta de 1980 a 1990 - começarem uma nova equipe DMM] era uma maneira de liberá-los e dar espaço para aprenderem".

 

Às vezes prover esse espaço não é fácil. "Foi difícil para nós conseguirmos com que eles escrevessem um plano de ministério", recordou Macon. "Parte do nosso trabalho era ajudá-los a descobrir o que eles queriam".

 

"Não foi difícil para eles convencer-nos a fazê-lo. Porque não nos preocupávamos com as formalidades de um documento e apenas queríamos nos concentrar em realmente fazer o ministério. Nós queríamos parar de falar e começar a fazer", completou Max. "Nós simplesmente não o tínhamos escrito ainda e isso levou tempo".

 

A equipe começou a fazer parcerias com outras pessoas conscientes do movimento que compartilharam sua visão, mas nem todas estavam com a OM. "Eu acho, e com razão talvez, que a OM provavelmente era mais um meio para fazer o que eles queriam fazer. Millennials são atraídos por uma causa, eles não são atraídos para um grupo", refletiu Macon.

 

Em vez de nomear um líder, a equipe atual compartilhou responsabilidades entre Max e Kelly, que são casados, e Elena. "Nós éramos todos amigos", explicou Elena. "Agora nossa equipe está crescendo e precisamos trabalhar um pouco mais para estruturá-la".

 

Comece, avalie, reelabore

 

Os dois últimos anos de desenvolvimento da equipe foram "tipo uma grande curva de aprendizado", disse Kelly. "Somos novos, estamos ainda aprendendo esse método e esses princípios e também a Turquia é lenta [para aceitar o evangelho]".

 

Na medida em que a equipe se juntou e começou a compartilhar com as pessoas interessadas em aprender sobre Jesus, eles se concentraram em melhorar duas áreas: facilitar o estudo conduzido pela descoberta das Escrituras (em vez de ensinar) e reunir comunidades de pesquisadores.

 

De acordo com Macon, a nova equipe precisava aprender fazendo. "Eles encontraram outras pessoas que gostavam de pensar e que os ajudaram a pensar nas coisas. Eles não estavam apenas fazendo uma coisa e aderindo a ela. Eles estão avaliando, refletindo e ajustando. Eles estão se tornando responsáveis, o que tem sido bom de ver".

 

“Costumávamos nos concentrar nos indivíduos e responder suas perguntas, talvez levá-los para a igreja", disse Kelly. Mas esses contatos geralmente acompanhavam o Curso de Correspondência da Bíblia da Turquia (BCC), não formavam grupos.

 

"Toda vez que tínhamos um acompanhamento da BCC, conseguíamos uma pessoa. E quando perguntamos se eles querem trazer outra pessoa, eles diziam: não", disse Kelly.

 

"Eu pensei que deveríamos começar a perguntar às pessoas por telefone [antes da reunião] se elas tinham outras pessoas [que estivessem interessadas]".

 

Todos precisam saber

 

Max implementou a estratégia primeiro. Ele disse a um novo contato da BCC: "se você conhece alguém que pensa como você, que está passando pela mesma discussão [espiritual], eles também podem vir".

 

Embora Max não planejasse se encontrar com seu contato, repentinamente ele recebeu um telefonema dele. "Eu vou para Istambul e estou levando um amigo. Podemos nos encontrar?"

 

"Essa é uma alteração estratégica", Kelly se entusiasmou. "Basta uma pergunta simples e conseguimos dois! Por causa da disposição dele em contar a seu amigo, essa pessoa poderia contar a mais pessoas e juntos poderiam contar ainda a muitas outras pessoas”.

 

"Os homens passaram três horas juntos conversando, lendo as Escrituras e discutindo. Ambos eram super inteligentes para suas idades, mas a pessoa contatada era uma pessoa quieta que eu não esperaria que compartilhasse com muitas pessoas. O outro cara era super extrovertido, super carismático e tinha qualidades de liderança", descreveu Max.

 

Depois de ler Marcos 2, Max perguntou aos dois homens se havia alguém que eles achavam que poderia ser impactado pela informação que eles tinham descoberto através do texto.

 

"Nós poderíamos compartilhar isso com praticamente todos", os homens responderam. "Todos [no nosso círculo social] estão questionando o Islã e estão pensando em deixar o Islã ou já deixaram."

 

Antes do encontro, por telefone, Kelly também pediu ao seu contato feminino se ela conhecia alguém que estivesse interessado em ler as Escrituras.

 

"Meu marido", a mulher respondeu.

 

Em vez de ir com Elena, como Kelly normalmente fazia ao conhecer outra mulher, ela e Max foram ao encontro do casal.

 

"Queremos famílias [para vir a Cristo]. O que é melhor do que um marido ou uma mulher trazendo seu companheiro (a)? Isso não aconteceria naturalmente, a menos que perguntássemos", disse Kelly. Na cultura turca, "uma garota nunca traria um amigo para se encontrar com uma garota. Se nós, duas meninas, nos encontraremos na Starbucks, ela não pode trazer seu marido - isso seria estranho".

 

Entrando, um encontro entre dois casais fazia sentido.

 

Max e Kelly leram Marcos 2 com o casal turco, a mesma passagem que Max já havia lido com os jovens. "Através da leitura eles aprenderam que Jesus poderia perdoar o pecado", disse Kelly.

 

"Nós acabamos compartilhando muito do evangelho. Eles estavam mais especificamente nos questionando [perguntas]", acrescentou Max. "Para eles a coisa mais incrível foi aprender tudo isso sobre Deus através desse texto".

 

Antes que os casais se separassem o marido turco anunciou: “vamos ler a Bíblia e então vamos nos reunir para conversar sobre ela".

 

Max lhe deu uma cópia do Inçil (Novo Testamento Turco). Então ele perguntou ao casal com quem eles poderiam compartilhar o que aprenderam.

 

"Não há ninguém que esteja aberto a isso", respondeu o casal.

 

Então Max reformulou a pergunta: "falamos anteriormente sobre como são realmente as boas novas e do amor de Deus. Então, quem precisa disso?".

 

"Todos!", eles disseram.

 

Max e Kelly não conseguiram encontrar o casal turco novamente na semana seguinte, mas eles receberam uma mensagem de texto deles.

 

"Estamos lendo a Bíblia todos os dias e conversando sobre os temas todas as noites".

 

"Na Turquia você encontra pessoas que dizem que estão interessadas, mas não leem. Ou eles leem com você e nunca sozinhos, portanto é incomum encontrar pessoas que leem muito. [Percebemos] muito mais fome espiritual", disse Max.

 

Vivendo na cidade

 

Em meio a constantes reelaborações alguns fatos não mudaram, observou Kelly: “o time come muito sorvete e eles gostam de morar na cidade. Nós não queremos nos afastar da Starbucks”, ela brincou.

 

Na verdade a equipe afirmou que seu contexto urbano é estratégico para o ministério. Há quatro anos Elena contou que lhe disseram que para ter um alcance mínimo era preciso se mudar para uma pequena aldeia numa parte remota do país. Mas agora "as pessoas estão mais criativas", disse ela. "Nós podemos nos basear aqui e alcançar essas pessoas".

 

Por um lado, as permissões de residência são mais fáceis de obter em uma grande cidade internacionalmente bem conhecida. "Em Istambul todos vêm de outro lugar", afirmou Elena.

 

Ao preparar pessoas turcas que vivem na cidade para estudar as Escrituras, aplicá-la às suas vidas e contar aos outros, a equipe espera criar embaixadores locais para Cristo que possam facilmente retornar às suas aldeias. "Se [um crente turco] entende e obedecem as Escrituras e começa a compartilhá-la com outras pessoas, então posso confiar nele para voltar para sua cidade natal e ele será melhor [no evangelismo] do que nós seríamos", disse Kelly.

 

O time também adotou outra província turca perto de Istambul. Dentro de poucas semanas, a equipe visita a área "para compartilhar com as pessoas e esperançosamente ver grupos de estudos Bíblicos começando", disse Elena.

 

Encontrar turcos para conversar não é difícil para o grupo de millennials, agora no início de seus 30 anos. "Nossa idade é boa", afirmou Kelly. "Max pode conversar com caras [mais jovens] porque ele não é vovô e podemos conversar com pessoas mais velhas porque não temos 18 anos. Estar no meio da faixa nos dá acesso a ambos os lados sem estar totalmente fora de sua faixa etária".

 

Ore para que entre os muitos contatos da equipe, eles encontrem pessoas-chave abertas a Jesus e dispostas a apresentar a verdade para suas comunidades.

 

Ore para que os turcos se afastem do Islã e se voltem para Jesus.

 

*Nome alterado por segurança

 

A OM na Turquia conta com uma família de missionários brasileiros atuando.

 

Texto original.

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração, em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

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