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Um bebê chamado Paz

September 5, 2017

Por Nicole James

Tradução de Tayza Garcia

Revisado por Jéssica Ferri

 

Entre as pessoas de uma nação em conflito na região da Península Arábica (AP), os bebês recém-nascidos geralmente recebem nomes como Jihad ou Hareb (guerra). Mas Ali*, um líder do trabalho da OM no local, e sua esposa decidiram nomear seu filho Peace (Paz).

 

A violência continua a devastar esse país predominantemente muçulmano, fazendo com que muitas pessoas fujam e iniciem novas vidas em países vizinhos ou no exterior. Em um tempo de guerra, Ali nomeou o seu filho Peace. "Nós acreditamos no Príncipe da Paz e acreditamos na paz", expressou Ali. "Deus nos deu muitos amigos aqui através desse nome".

 

"O povo está cansado do terrorismo, muitos estão deixando o Islã. Agora é a hora de oferecer esperança", disse Ali. "A colheita é abundante".

 

 

Confirmação sobrenatural

 

Ali, que foi criado em uma devotada família muçulmana em seu país, passou cinco meses, no final da década de 1980, com seu tio empresário em Dubai. O tempo na capital emergente impôs não só a perspicácia econômica de Ali, mas também sua adesão ao islamismo. Ao retornar para casa, Ali ordenou que sua mãe (e colegas de classe feminina) usasse o hijab tradicional, lenço de cabeça.

 

"Quando estávamos em nosso país, a única coisa que conhecíamos era o Islã em matéria de religião. Não havia mais nada. Nosso conhecimento era muçulmano, nada mais. Não tínhamos outros livros que pudéssemos ler. Não foi fácil obter uma Bíblia, embora existissem missionários lá", explicou Ali.

 

O início da guerra nos anos 90 causou a saída de muitas pessoas do país. "Foi um momento muito ruim. Ao mesmo tempo, foi um bom momento", pensou Ali. "Muitas pessoas foram para fora do país".

 

Ali também deixou seu país de origem novamente, viajando pelo norte da África e pelo Oriente Médio. Naquela época ele estava casado, já tinha um filho e outro estava a caminho. Eles ficaram para trás.

 

Na parada final de Ali, no Líbano, seu fervor islâmico começou a desmoronar. "Eu escutei muito sobre Maomé e o Islã", explicou Ali. “Em busca da verdade encontrei diferentes Imams (líderes religiosos) que tinham ideias diferentes sobre o Islã. Minha mente mudou. Eu me convenci de que aquilo tudo não era de Deus".

 

Eventualmente, Ali decidiu deixar o Islã, continuando a acreditar na existência de Deus, mas imaginando como encontrá-lo. "Eu li a Bíblia. Antes disso, eu não conseguia lê-la. Quando você é muçulmano no meu país, você não pode tocá-la. É haram (vergonhoso)", disse Ali. "Quando eu deixei o Islã, senti-me livre. Eu poderia ler o que eu queria. Eu poderia perguntar às pessoas - sacerdotes, pastores, cristãos regulares – ‘O que você acredita?’ Mas não recebi nenhuma resposta que inspirou minha alma".

 

Finalmente, Ali voltou ao seu país para cuidar de sua família. "Eu compartilhei com minha esposa, minha pessoa mais próxima no mundo naquele momento: ‘Se existir fé, a fé mais próxima é Jesus, mas eu não acredito nele’".

 

Na manhã seguinte, a esposa de Ali contou o que ele havia dito a todos da comunidade. "Eu me tornei um kaffer (descrente)", relatou Ali. "Eles queriam me matar, minha própria família".

 

Ali fugiu do país, terminando na Etiópia. Um dia, ele encontrou uma grande reunião de pessoas - milhares reunidos em uma igreja ao ar livre, ouvindo alguém pregando. O pastor notou Ali, um estrangeiro, e puxou-o de lado. "Por que você está aqui?", ele perguntou.

 

Imediatamente, Ali começou a fazer perguntas ao pastor. "Ele me ouviu com muita paciência e gentilidade", lembrou Ali.

 

O pastor perguntou: "Você acredita que existe um Deus e que Deus criou você, eu e a Terra?"

 

"Sim, eu acredito", respondeu Ali.

 

"Pergunte a Ele".

 

“Quando ele disse: ‘Pergunte a Ele’, tudo ficou claro na minha mente", explicou Ali. "Eu sempre estava fazendo as perguntas que eu tinha para as pessoas. Ele me disse que ninguém podia me dar a resposta que procuro, exceto Ele – ‘pergunte a Ele’".

 

Naquela noite, antes de Ali se deitar, ele falou com Deus. "Tive uma conversa real com Deus no meu idioma: ‘Você sabe que eu amo Você. Por que você não me mostra?’ E eu estava esperando que Ele me desse a resposta porque acreditava que existe um Deus".

 

Após a meia-noite, Ali se lembrou de ouvir alguém batendo na porta. Ele se levantou, olhou para fora, para a direita e para a esquerda, mas não viu ninguém. Ele trancou a porta e voltou para seu quarto e se deitou na cama, se perguntando quem estava na porta.

 

Então, Ali conta, sentiu que de repente ele se levantou no ar - suspenso entre sua cama e o teto por vários segundos. "Eu estava tremendo. Fiquei muito assustado e desci na cama lentamente", ele descreveu.

 

Quando ele voltou à cama, ele se sentou e disse: "O quê?"

 

Ali ouviu em sua própria língua “eu sou Jesus. Eu sou o Filho de Deus. Eu sou seu Senhor. Você me seguirá? Me siga. Me siga”.

 

"Toda a minha alma foi a Ele. A partir daquela manhã, decidi que Jesus era meu Salvador e Senhor", disse Ali.

 

"Desde então, comecei a servir ao Senhor. Tudo mudou. Eu me tornei uma nova pessoa".

 

 

O custo da cruz

 

Ali voltou para contar a sua esposa o que aconteceu. "Fomos batizados juntos em um dia", disse ele. Então eles se mudaram para a Europa para escapar da violência contínua em seu país.

 

Como o casal, agora pais de quatro filhos, eles se instalaram em uma nova comunidade. Ali começou a evangelizar as pessoas de seu país. "Havia milhares de pessoas do grupo que viviam em nossa cidade, e minha esposa estava com medo de se isolar da comunidade. Ela me pedia para parar", lembrou Ali.

 

"Não", ele respondeu à esposa. "Você tem que obedecer ao comando de Deus. Nós temos algo muito bonito que temos que compartilhar porque nosso povo precisa disso".

 

"Não consigo ficar tranquilo", disse ele. "Mesmo que eu queira, o Espírito Santo está me compelindo".

 

Ali começou a compartilhar sua fé na Internet, onde encontrou outros crentes de seu país. Sua esposa, no entanto, não estava feliz.

 

"Um dia minha esposa veio até mim e disse: 'Você tem que escolher: seu Jesus ou sua família. Nunca fui uma crente. Eu apenas disse isso para ganhar você’”. “Foi uma decisão muito amarga na minha vida. Isso mudou tudo", Ali compartilhou.

 

Quando ele escolheu Jesus, sua esposa o deixou, levando seus filhos com ela.

 

 

Igreja na internet, reuniões em pessoa

 

Apesar da tragédia de perder sua família, Ali continuou ministrando a outras pessoas do seu país na Internet. Dois ou três anos antes, se alguém tivesse perguntado se havia crentes de seu país, Ali teria dito que não, a nação era 100% muçulmana. "Mas se você vai à Internet hoje, você pode ver muitos crentes dizerem: 'Eu sou do país e eu acredito em Jesus Cristo’. Você tem muitos crentes dando testemunho, até mesmo ensinando. Mas o que precisamos é da reunião física".

 

Em 2006, Ali se encontrou com um trabalhador antigo da OM que havia sido pioneiro no ministério da OM entre o grupo de pessoas como Ali. Os dois começaram a orar juntos. Em 2007, pela primeira vez, os crentes do país de Ali se reuniram na Europa. "Na minha cidade nós éramos três pessoas", lembrou Ali. "Nós oramos juntos. Nossa visão foi clara. Queremos ver as pessoas de nosso país chegando ao Senhor".

 

Em 2015, eles reuniram os crentes desse grupo de pessoas novamente. Dessa vez, mais de 80 crentes participaram da reunião. "Foi uma alegria", afirmou Ali. "Vejo todos os dias novos rostos que são muito, muito sedentos. E eles não sabem como encontrar a Deus. Não podemos ganhar as pessoas, mas Deus pode ganhar as pessoas através de nós".

 

"Eu perdi tudo, mas ganhei Jesus em minha vida... e acredito que um dia tudo ficará bem", disse Ali. "Perdi alguns amigos que foram mortos por causa de sua fé em Jesus. Eles podem matar nosso corpo, mas eles não podem tocar nossa alma. Sinto o tempo todo que tenho algo bom. Jesus está conosco".

 

 

Vida nova

 

A primeira esposa de Ali acabou se casando novamente em sua comunidade étnica, proporcionando a Ali uma chance de se reconciliar com seus filhos. Mais tarde, Ali também se casou com uma mulher crente. Seu filho é chamado de Peace (Paz).

 

Ali agora lidera o ministério da OM entre a diáspora de seu povo. De acordo com o líder do campo da OM na Península Arábica, Ali quer espalhar o evangelho entre seus povos através de mídia feita por crentes daquele grupo étnico. "Eles sabem como chegar ao povo em circunstâncias muito difíceis. Nós estamos andando o caminho com eles", disse o líder do campo.

 

Ore para que Deus transforme o povo de Ali, de pessoas que promovem a violência para pessoas que proclamam Jesus como o Príncipe da Paz. Ore pelos crentes de seu país para que suportem a perseguição que enfrentam. Ore para que eles cresçam em seu conhecimento de Deus. Ore para que Deus forneça financeiramente os ministérios que alcançam esse grupo de pessoas.

 

*Nome alterado por questões de segurança.

 

Texto original aqui.


O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

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