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Sem missionários de tempo integral

September 2, 2017

Por Nicole James

Tradução de Elizane Mozer

Revisado por Jéssica Ferri 

 

A administradora da base da OM no Paraguai, Kelly Dominguez, trabalha como fotógrafa para prover sua renda financeira. O que um engenheiro eletrônico, um agente de viagens e um fotógrafo têm em comum?

 

Na base da OM em Assunção, Paraguai, eles são chamados de equipe.

 

Em fevereiro de 2014, Rodrigo e Elisabeth Vargas se mudaram para um apartamento na propriedade da OM no Paraguai, recentemente doada. Ambos já tinham servido na OM Navios, mas estavam trabalhando em outros empregos - Rodrigo como engenheiro eletrônico, Elisabeth como agente de viagens - quando o líder no país, Eddy Froese, pediu que eles começassem a representar a OM na capital do Paraguai, Assunção.

 

“O lugar estava muito sujo. Muitas coisas estavam quebradas. Tivemos muito trabalho para colocar o lugar em condições de viver e começar algo”, lembrou Rodrigo. Mas a base também catalisou o crescimento da OM no Paraguai. "Isso nos deu a responsabilidade de começar a trabalhar mais arduamente, acima de nossos empregos remunerados”, explicou.

 

Primeiro, eles começaram reuniões de oração mensais. Em seguida, recrutaram Kelly Dominguez, uma ex-aluna da OM que tinha servido na África, para se juntar à equipe emergente. "Ela não teve nenhum papel específico nesse ponto, mas tínhamos muita necessidade na equipe", disse Rodrigo. Markos Fehr, que conheceu Kelly no Uruguai, foi o próximo a recrutado como voluntário da OM.

 

A equipe em desenvolvimento criou descrições de funções e iniciou diferentes iniciativas para mobilizar os paraguaios em missões. Eles aceitaram novos voluntários e membros da equipe, alguns que retornaram de outras entrevistas da OM, como David Dominguez, o marido de Kelly.

 

Enquanto isso, nenhum dos membros da equipe OM parou de trabalhar em seus empregos regulares. Rodrigo estabeleceu seu negócio on-line, Elisabeth continuou trabalhando na agência de viagens até o nascimento do filho, e Kelly fez um curso de fotografia, começando um negócio no ramo junto com David.

 

 

Um novo modelo

 

Nos últimos três anos, a equipe da OM em Assunção tem crescido e foi pioneira em vários projetos com noites de oração, dias de "portas abertas", ministério infantil e treinamento de missões de exposição de uma semana. No entanto, o suporte individual recebido pelos membros da equipe que executam os projetos manteve-se mínimo.

 

"É muito difícil para nós obter apoio para fazer missões localmente", disse o líder da equipe, Rodrigo. "O modelo tradicional de pedir ajuda às pessoas parece não funcionar aqui, então também encontramos uma maneira de fazer nossos próprios negócios".

 

Priscilla Isaak, que administra o ministério das crianças Mensageiros do Rei, trabalha como professora de pré-escola durante a semana. Deborah Krahn trabalha como oficial de pessoal e tem uma carga horária cheia de aulas universitárias, além de pegar trabalhos secundários. Já Eddy, líder no país, possui uma fazenda leiteira de 200 hectares (494 acres) que apoia sua família, bem como as duas famílias locais que trabalham para ele, e patrocina sua viagem internacional para a OM.

 

"Nós somos uma nova geração de pessoas", explicou Rodrigo. "Estamos felizes em servir na OM, mas a OM é parte de nossa vida. Nós somos a luz de Jesus em outras coisas que estamos fazendo também. Às vezes estamos servindo aqui diretamente, às vezes estamos mudando e outras vezes estamos falando de negócios".

 

Segundo David, facilitador da mobilização para OM no Paraguai, a necessidade de gerar renda pessoal enquanto se está atuando em missões, pode ser visto como uma desculpa para não servir. Mas seguir o caminho antigo de apoio, ou seja, um missionário que depende exclusivamente do dinheiro dos doadores, não é o único modelo, de acordo com ele.

 

"Nós recebemos algum apoio, mesmo que não seja suficiente para uma pessoa, e somos uma família, então, geramos o resto", compartilhou David.

 

"Nós não apenas oramos e pedimos dinheiro. Pedimos trabalho e o trabalho vem, no momento certo".

 

Naturalmente, existem desvantagens nesse modelo de trabalho ministerial. Os trabalhadores de tempo parcial não podem realizar tanto quanto aqueles que trabalham em tempo integral. "Como não somos missionários de tempo integral, é muito desafiante continuar a fazer mais projetos. Há tantas oportunidades e responsabilidades, mas é muito difícil porque todos estão trabalhando para se sustentar. Esse é um desafio. E outro desafio é ter mais pessoas comprometidas para trabalhar. A equipe está crescendo agora com voluntários, mas os voluntários não têm tantas responsabilidades", explicou Kelly.

 

"Claro, eu preciso ter mais disciplina e me organizar", acrescentou Rodrigo. "Eu tenho 24 horas por dia, e não posso dedicar 24 horas por dia, sete dias por semana à OM”.

 

"É um equilíbrio de tempo, falando sobre o trabalho. Mas vemos seu trabalho como parte da missão de Deus em sua vida. Eu sou um discípulo, e tenho que ser um discípulo em qualquer coisa que eu faça. O trabalho na OM não é a missão, porque minha vida é uma missão o que quer que eu faça", ele resumiu.

 

"Nosso primeiro chamado é para Ele", enfatizou David. "Nós devemos glorificá-lo e adorá-lo em tudo o que fazemos, com nosso trabalho normal e o ministério".

 

 

Empregos flexíveis, trabalho relevante

 

Poucos anos antes de se juntar à OM, David estava trabalhando em tempo integral em um banco. "Quando deixei aquele ambiente, decidi servir a Deus e priorizar o ministério", disse ele.

 

Isso não significava não trabalhar, mas significava encontrar opções mais flexíveis. "A Bíblia nos ensina a não nos preocuparmos com o dinheiro, a não sermos estressados, mas a realidade é que nós, como seres humanos, ficamos estressados, e acho que Deus oferece formas diferentes de resolver esse problema", afirmou David.

 

Hoje, ele ganha dinheiro através da fotografia e da gestão de redes sociais, ambos os trabalhos que lhe permitem organizar sua própria rotina e reorganizar compromissos, caso ele seja convidado a servir em um campo ministerial ou em um evento da OM.

 

O negócio on-line do Rodrigo funciona da mesma forma. "Se eu tiver que participar de uma reunião OM por uma semana e meia, eu posso ir. Eu não tenho chefe", ele explicou.

 

Às vezes, o envolvimento ministerial significa que David permanece até às 2h da manhã finalizando projetos para clientes. Às vezes, Rodrigo também tem que duplicar os negócios depois de viajar para reuniões da OM. Ainda assim, ganhar renda permite que os missionários da OM no Paraguai permaneçam relevantes em sua comunidade - importantes em casa e no exterior.

 

"Queremos ver mais pessoas desafiadas por missões, interessadas em missões e avançando para missões. Queremos ver mais pessoas saindo do Paraguai para servir no exterior entre os não alcançados, onde não há igreja, nem Bíblia. Queremos que sejam relevantes para aquelas sociedades", disse Rodrigo. Muitas vezes, ser relevante significa ter um trabalho real e refletir Jesus através de nossas vidas. "Isso é algo que queremos transmitir às pessoas".

 

 

Preparação e sonhos

 

Evelyn e Mateo Roniller, uma fisioterapeuta e um treinador de futebol, estão envolvidos no ministério quase todos os dias fora de seus empregos regulares. Casados há menos de um ano, esperam ganhar experiência trabalhando e servindo no Paraguai antes de se mudarem para um país da região dos Balcãs da Europa. "Queremos passar pela OM, mas, em longo prazo, gostaríamos de ser fabricantes de tendas - para viver e trabalhar lá", explicou Evelyn.

 

"Há tanto potencial para paraguaios irem ao encontro dos não alcançados e viver sua fé lá. Podem ser profissionais, estudar algo aqui e ir para outro lugar, conhecer Jesus e levar as pessoas a Ele", ela ressaltou. Evelyn descreve os paraguaios como pessoas amigáveis, focadas na família e que podem facilmente se adaptar às culturas menos alcançadas do mundo. As igrejas no Paraguai estão crescendo continuamente e produzem muitos estudantes de teologia. "Eles têm tanta informação sobre Deus. Basta colocá-los em um lugar não alcançado, e eles serão uma luz lá", disse.

 

Quanto ao futuro da OM no Paraguai, Elisabeth sonha em ver a equipe totalmente formada, incluindo pessoas de fora do Paraguai, com vários ministérios trabalhando efetivamente e um número crescente de pessoas sendo enviadas para levar Jesus aos menos alcançados. Profissionalmente, ela tem outro objetivo: "Às vezes temos o desejo de abrir uma agência de viagens".

 

Ore para que a equipe da OM Paraguai continue encontrando formas criativas de se apoiar e envolver sua comunidade local. Ore para que eles possam equilibrar bem seu tempo para promover projetos de mobilização de OM. Ore para que mais trabalhadores se juntem à equipe em crescimento.

 

Texto original aqui.

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

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