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Mas primeiro, inglês

August 1, 2017

Por Nicole James

Tradução de Elizane Mozer

Revisado por Jéssica Ferri

 

Liliane Nascimento ensina inglês a missionários brasileiros da OM antes que eles saiam para se juntarem às equipes internacionais. Durante uma viagem ao Brasil, a escritora da OM, Nicole James, visitou o English Short Course - ESC (Curso intensivo de Inglês), onde ouviu histórias de alguns alunos e conversou com professores antigos e atuais.

 

Como uma americana que estudou e ensinou inglês, além de aprender línguas estrangeiras, eu entendo o processo de aprendizagem de línguas na perspectiva tanto de alunos quanto de professores. Durante o meu tempo viajando e escrevendo para a OM, entrevistei trabalhadores de quase todos os continentes (infelizmente, ainda não encontrei ninguém da Antártida) e tenho companheiros de equipe da Alemanha, Dinamarca, Panamá e México. Com poucas exceções, minhas conversas foram todas em inglês com missionários da OM que servem fora de seus países de origem.

 

No entanto, só depois de mais de dois anos imersa na cultura OM, eu pude perceber o quanto os falantes de inglês, não nativos, precisam se esforçar para se adaptarem na cultura internacional da OM. Meus colegas de equipe de língua espanhola e eu frequentávamos aulas de árabe. Eu era grata pelo fato de que a língua de classe era o inglês.

 

Não era nada fácil aprender o árabe, mas não pensei duas vezes, já que minha língua materna é o inglês. Para muitos futuros missionários da OM, porém, compartilhar as boas novas de Jesus no exterior exige aprender não apenas um, mas dois novos idiomas.

 

 

ESC - English Short Course

 

A OM no Brasil está bem ciente dos desafios linguísticos que muitos brasileiros enfrentam quando se juntam às equipes OM no exterior. Portanto, a segunda parte do programa de treinamento de missões - CTM da OM Brasil, o Curso Intensivo de Inglês - ESC, requer de um a três módulos de estudos, dependendo do nível de inglês de cada aluno, para que eles "possam sair com um bom nível de inglês e fazer uso da língua sem muito esforço", explicou a diretora do CTM e ex-professora de inglês, Nelia Leal.

 

O modelo de ensino seguido no ESC está no padrão de muitos outros programas de idiomas intensivos. Os alunos têm 15 horas de aulas por semana, três horas por dia, e passam o resto do tempo fazendo lição de casa e estudando.

 

"Eu sei que você vai ficar cansado. Sei que você vai ter dores de cabeça, por isso, beba muita água. Mas você aprenderá por causa da benção e do poder do Espírito Santo", Nelia gosta de assegurar aos alunos.

 

"E nós temos visto isso", ela confirmou. "Eu tenho estado aqui por sete anos. Eu vi pessoas chegando e lutando, mas no final, podemos ver a vitória. Eu amo isso!"

 

Quando conheci Fernanda Diaz*, do Brasil, no norte da África, conversamos facilmente em inglês. Fiquei surpresa ao descobrir que ela só tinha estudado por 11 meses - cinco no Brasil e seis no Reino Unido, onde viveu por oito meses - antes de se mudar para o país atual e começar a estudar árabe. No caso dela, o inglês era essencial, não só para a vida em equipe, mas também para as aulas. "Eu aprendi o árabe através do inglês. Não existe português-árabe, apenas inglês-árabe", explicou Fernanda.

 

"Os latinos não focam no inglês. Eu era como eles", continuou ela. “Mas minha entrada em missões me fez mudar de ideia. A linguagem é importante. Se você não tem um bom inglês, você vai enfrentar dificuldades."

 

 

Histórias de alunos

 

Na base da OM no Brasil, entrei na classe de inglês de Ruan e Thamyres. Ruan, que se preparava para ir à África do Sul, estudava há cinco meses. Thamyres, que planejava se juntar ao ministério dos navios da OM, havia se juntado a ele no mês anterior. As perguntas que eu fiz aos dois, não foram perguntas que eu normalmente teria feito a alunos do primeiro ano. Mas pressionei...

 

"O que Deus te ensinou pessoalmente durante o treinamento de missões?", perguntei.

 

"Aprendi a confiar nele. Sofremos muito com problemas de dinheiro e falta de apoio. E Deus fez um milagre para mim. De mim mesma, não tenho fé nEle, mas essa fé tem crescido, e estou tão feliz porque agora confio muito mais nEle", Thamyres respondeu.

 

"Antes de chegar à OM Brasil, eu era mais tímido", disse Ruan. "Eu sempre tive dificuldade em conversar com pessoas que eu não conhecia. Para pregar, sempre tive essa dificuldade, mas depois de chegar, Deus mudou isso".

 

As palavras e os tempos verbais podiam não estar 100 % corretos, mas fiquei surpresa ao ver que dois estudantes com tão pouco tempo de estudo puderam responder com confiança minhas perguntas em inglês. E Deus realmente mudou Ruan - em vez de se afastar de conversas com pessoas novas, ele estava conversando com um estranho em inglês!

 

Na parte da tarde daquele mesmo dia, entrei na sala de aula onde Eduardo e Beatriz Azevedo* tinham acabado de terminar a aula de inglês. O tema do dia era "informação pessoal" - com detalhes universalmente necessários para os pedidos de visto e cartões de imigração.

 

Pedi a eles que anotassem seus nomes em inglês e que, por meio de tradutor, contassem por que um casal de meia-idade, pais de duas filhas adolescentes, abandonaria seus empregos para iniciar uma jornada que eventualmente exigiria aprender duas novas línguas.

 

Eduardo e Beatriz já tinham pastoreado uma igreja que não possuía uma visão missionária. Aos poucos, o casal ficou convencido de que precisava aprofundar o que Deus estava lhes chamando para fazer. Beatriz fez uma viagem ao Egito através da igreja Batista. Depois, Eduardo viajou com ela para o Near East (um campo OM composto por Jordânia, Líbano, Iraque e Síria). "Então entendemos que precisávamos estar em missões", resumiu Beatriz.

 

Com base na herança libanesa de Beatriz, o casal decidiu trabalhar com povos árabes. Seguir o chamado de Deus para missões afetou dramaticamente o estilo de vida da família: eles deixaram sua casa grande, venderam seu carro, transferiram suas filhas para uma escola pública, se inscreveram no programa de treinamento da OM Brasil e começaram a aprender inglês. "Para nós, é difícil entender inglês ou outra língua porque não somos mais jovens", admitiu Eduardo. "Temos que nos esforçar mais para a compreensão de outra língua”.

 

Ainda assim, eles decidiram seguir adiante. No outono, eles planejam ir à Inglaterra para continuar aprendendo inglês e a família espera mudar para o Oriente no início de 2018. Durante todo o processo, Beatriz disse: "Aprendemos a confiar em Deus. A direção para nossas vidas é dele, e ele cuida de nós melhor do que cuidaríamos de nós mesmos”.

 

 

Professor enviado por Deus

 

Liliane Nascimento tinha estabelecido recentemente sua carreira como professora de inglês, quando entendeu o chamado de Deus para missões. "Mas Deus, eu preciso me casar. Mas Deus, eu preciso terminar a universidade. Mas Deus, e a minha carreira?", ela orou.

 

Por quase cinco meses ela lutou com o Senhor, deixando finalmente seu trabalho, em 2012, para iniciar o programa de treinamento da OM Brasil. Então ela se juntou ao ministério de navios da OM por dois anos.

 

Quando ela voltou para o Brasil, Liliane sentiu Deus levando-a a investir em sua carreira novamente - desta vez para o Reino, não só para ganhar dinheiro. Obedientemente, Liliane fez um curso para ensinar inglês a estrangeiros como segunda língua. Um dia, em uma visita à base OM, conversando com Nelia sobre o Curso intensivo de Inglês – ESC, ela ouviu a pergunta:

 

"Você está voltando para dar aulas?", disse Nelia.

 

Liliane não estava planejando assumir essa vaga, mas ela percebeu que Deus estava abrindo a porta para que ela ensinasse Inglês na OM a partir de janeiro de 2017. "Não precisava abrir mão do que eu gostava de fazer", explicou. "Na verdade, Deus me trouxe de volta à minha vida profissional para usá-la para Ele".

 

A intensidade da classe - e as dificuldades subsequentes que os alunos enfrentam - é semelhante a outros cursos, descreveu Liliane. "Usamos os mesmos livros e falamos sobre os mesmos tópicos".

 

Segundo Liliane, a motivação dos alunos e a forma como eles progridem superam resultados obtidos em escolas de idiomas "regulares”. Além disso, Liliane cria currículo extra para que os alunos sejam capazes de falar em inglês não apenas sobre tópicos cotidianos, mas também sobre assuntos espirituais.

"Eles memorizam os versículos da Bíblia, aprendem a compartilhar o evangelho e como orar em inglês. Eles aprendem a compartilhar seu testemunho, eles leem livros, assistem a vídeos, aprendem canções de adoração - coisas que eles vão vivenciar no campo, então eles estão preparados", afirmou Liliane.

 

Seu papel como professora de inglês impacta diretamente a capacidade dos estudantes de criar comunidades vibrantes de seguidores de Jesus, onde quer que forem.

 

"Uma vez que os alunos conhecem o inglês e se sentem confiantes para falar, eles sentem que o mundo é ilimitado. Não há limites. Eles podem ir onde quiserem. Eles podem conversar com quem quiserem", disse Liliane. "Eles não serão tímidos ou receosos em compartilhar o evangelho por não saberem dizer ‘Deus te ama’, em inglês. Eles sabem".

 

*Nomes alterados por questões de segurança.

 


Texto original aqui.

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

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