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Cultura da amizade

August 2, 2017

Por Nicole James

Tradução de Elizane Mozer

Revisado por Jéssica Ferri

 

 

Extrovertidos e flexíveis, muitos brasileiros fazem facilmente amizades genuínas com pessoas de culturas menos alcançadas.

 

"Temos um estereótipo de sermos um povo muito amigável. Não conheci ninguém que não goste de latinos, ou mesmo de samba ou salsa", começou Livia *. Com pouco mais de um ano em seu tempo servindo no norte da África, ela foi capaz de listar exemplos de como a cultura brasileira complementava a cultura do país anfitrião: "Se você realmente gosta de passar tempo com as pessoas, de aprender coisas novas, de compartilhar sua vida, esse é o lugar certo para vir!".

 

Festas barulhentas, visitas espontâneas, contato físico, planos em constante mudança e, acima de tudo, uma cultura centrada na comida - as descrições se referem tão bem ao Brasil quanto ao norte da África, de acordo com Livia. E, ao contrário de pessoas de culturas reservadas e orientadas pelo tempo, que têm que se adaptar a essas diferenças culturais, esses aspectos da vida não foram problemas para ela.

 

Fazer amizades no mundo muçulmano não tem sido difícil na experiência de Livia. "Isso tem sido muito maravilhoso, especialmente por ver como nosso Pai tem colocado cada um deles em meu caminho", disse ela.

 

 

Ásia Ocidental

 

Caroline* passou três anos e meio na Ásia Ocidental. Quando ela se mudou para o país anfitrião, identificou aspectos de sua infância na cultura. "Meus pais eram muito rigorosos quanto às roupas, então, para mim, não foi tão difícil me ajustar", compartilhou. Ela teve que se acostumar a enrolar um lenço de cabeça, hijab, cobrindo seu rosto antes de sair em público. Mas outros comportamentos, como  crianças que obedecem a seus pais, famílias que promovem relacionamentos próximos, fizeram-na lembrar de casa.

 

"Somos pessoas muito calorosas. Nós gostamos de abraçar e conversar, então é mais fácil fazer amizades e construir relacionamentos", descreveu. "Brasileiros são como os asiáticos ocidentais, valorizam a família, gostam de estar juntos, comer juntos e conversar. As mulheres podem abraçar mulheres. Elas gostam muito disso" descreveu.

 

No país anfitrião, Caroline conheceu uma de suas amigas mais próximas, Shima*, na classe de idiomas. Metade alemã, Shima cresceu na Europa, mas se mudou para a Ásia depois de se casar. Enquanto as duas conversavam, antes e depois da aula, descobriram que o marido de Shima trabalhava perto do ponto de ônibus de Caroline. O marido de Shima a levava e buscava nas aulas todos os dias, mas depois de conhecer Caroline, ele concordou em deixar sua esposa andar de ônibus com a nova amiga.

 

Numa das primeiras vezes em que Shima aventurou-se a andar de ônibus com Caroline, de repente sentiu-se enjoada entre as paradas e precisou descer. "Na época, eu não sabia exatamente onde estávamos porque não conhecia a cidade, mas eu disse: 'Ok, eu ficarei com você', e então fiquei com ela até que ela se sentisse bem" explicou Caroline.

 

Elas chamaram o marido de Shima, que as buscou. Para Shima, a presença de Caroline naquele dia foi uma prova de amizade. Mais tarde, quando Shima parou de ir à escola de idiomas, Caroline começou a visitá-la em casa.

 

Uma vez, Shima viajou para a Alemanha por dois meses para visitar sua família. Quando ela voltou, se encontrou com Caroline e disse: "Por favor, fale comigo sobre Jesus. Tive amigos cristãos quando vivi na Alemanha, mas nunca me importei com Jesus. Agora, depois que conheci você, alguém que realmente se importou comigo, eu quero saber sobre Jesus".

 

Na verdade, Shima tinha comprado uma Bíblia na língua local enquanto esteve na Europa. A família do marido era formada por religiosos muçulmanos. Embora seu marido não praticasse sua fé, sendo o filho mais velho, ele se recusou a contradizer as crenças do pai. Mesmo assim, ele permitiu que Shima se encontrasse com Caroline e até ajudou sua esposa a ler a Bíblia quando ela pediu ajuda para a tradução.

 

Depois de ler a Bíblia e estudar com Caroline, Shima creu em Jesus. Sua decisão era perigosa, tendo em vista o país em que morava e a família do marido, mas Shima persistiu. "Na próxima vez que eu for para a Alemanha, vou ser batizada", disse ela à Caroline.

 

 

Oriente Médio

 

Sophia* viveu no Oriente Médio por dois anos e meio. "Quando eu estava morando lá, eu não sentia que era minha cultura. Nós temos muita liberdade no Brasil como mulheres: podemos fazer o que quisermos e podemos usar a roupa que quisermos", disse ela rapidamente.

 

Após uma pausa de alguns minutos, porém, Sophia modificou sua opinião citando algumas semelhanças entre seu país de origem e o país de acolhimento. "Talvez na hospitalidade, talvez na maneira como falamos. No Oriente Médio, passamos muito tempo juntos conversando, comendo e bebendo café. Talvez essas coisas sejam como na nossa cultura no Brasil", pensou.

 

Na verdade, Sophia passou muito tempo com as mulheres locais, visitando-as, conversando com elas, bebendo café e compartilhando sua fé. "Meu papel era estar com elas, tentar fazer amigos e, através da nossa amizade, compartilhar a fé", descreveu.

 

Sophia conheceu uma de suas boas amigas, Hala*, na rua. Ela pediu ajuda à Hala para localizar um endereço e acabou descobrindo que ela falava inglês. Sophia convidou Hala para uma reunião de língua inglesa, não muito longe de onde estavam, mas Hala declinou.

 

"Não posso dizer o que penso", disse Hala.

 

"Você pode dizer o que quiser", disse Sophia tranquilizando-a. "Nós podemos simplesmente conversar".

 

"Sinto que posso confiar em você", respondeu Hala.

 

"Você pode", disse Sophia.

 

"Eu oro a Jesus".

 

Sophia abraçou Hala e disse: "Você é minha irmã". Elas trocaram números de telefone e começaram a se encontrar uma vez por semana para estudar a Bíblia.

 

"Nós passamos muito tempo falando sobre Jesus, sobre fé, sobre sua vida", Sophia compartilhou. "Na verdade, ela ainda não é uma crente. Ela ainda não entende Jesus como Salvador, mas posso ver que Deus está trabalhando em sua vida, e ela está aberta ao estudo da Bíblia e a falar sobre isso".

 

Hanan*, outra amiga local, contou a Sophia sobre os muitos desafios em sua vida. "Eu tenho um sentimento em meu coração de que eu quero ser diferente. Eu quero nascer de novo", compartilhou Hanan.

 

"O quê?", Sophia perguntou.

 

"Eu tenho esse sentimento de que eu quero nascer de novo", repetiu Hanan. "O que você acha disso?".

 

Sophia disse a Hanan como ela poderia nascer de novo através de Jesus. Hanan ouviu tudo e se encontrou com Sophia várias vezes. "Eu também acredito que Deus está trabalhando em sua vida. Eu acredito que ela está aberta", disse Sophia.

 

Antes de deixar o Oriente Médio, Sophia se encontrou com uma terceira amiga árabe. "Eu realmente queria dar a ela uma Bíblia, mas eu não sabia o que ela pensaria sobre isso", lembrou Sophia.

 

Então ela convidou sua amiga para uma festa e apresentou seu presente. "Você é realmente especial para mim", disse Sophia, "e porque você é muito especial, quero dar a você o melhor que tenho na minha vida".

 

Sua amiga pegou a Bíblia nas mãos e respondeu: "Agora sei que você me ama, porque sei que isso é especial para você".

 

 

Não é igual, mas é parecido

 

Com a nova visão global da criação de comunidades vibrantes de seguidores de Jesus entre os menos alcançados, a OM Brasil quer mobilizar os brasileiros para irem ao mundo muçulmano. "Não é o mesmo, cultura árabe e cultura brasileira", disse Sophia, "mas temos algumas semelhanças".

 

"Nós gostamos de passar o tempo juntos, nós gostamos de falar, somos pessoas relacionais. É preciso algum tempo para que entendamos e nos adaptemos a essa nova cultura, mas as coisas que temos em comum nos ajudam a aprender alguns aspectos, a nos ajustar e ajudar a compartilhar nossa fé", continuou. "A maioria dos brasileiros não tem medo de compartilhar. Eles estão abertos. É mais fácil para eles abordar as pessoas e conversar com elas".

 

"Não é fácil aprender outro idioma", admitiu Sophia. “Mas compartilhar com as pessoas e estar com elas, isso é muito fácil porque fazemos isso o tempo todo. Nós estamos sempre juntos", completou.

 

Ore para que muitos brasileiros sejam mobilizados para missões entre muçulmanos. Ore por aqueles que vivem entre os menos alcançados do mundo. Para que tenham corações abertos, estabeleçam amizades profundas e tenham a oportunidade de compartilhar sua fé em Jesus.

 

*Nomes alterados por motivos de segurança.

 

Texto original aqui.

 

Todas as missionárias citadas no artigo são brasileiras.

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

 

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