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Semeando entre os Sírios na Turquia

June 15, 2017

Por Nicole James

Tradução: Tayza Garcia

Foto de Ben

 

Clarissa*, uma missionária de longo prazo que serviu na OM no Oriente Médio, precisava deixar o país que a acolheu por seis semanas enquanto pedia um novo visto. Durante esse tempo, ela decidiu se voluntariar na Turquia com um grupo trabalhando entre os sírios refugiados. No final, Clarissa não pôde voltar ao Oriente Médio, então ela estendeu sua estadia na Turquia, reconhecendo a oportunidade de continuar a alcançar o grupo de pessoas que Deus colocou em seu coração.

 

"Anos antes, Deus comoveu meu coração para estar em um país devastado pela guerra. Deus me deu Isaías 61: 1-3, "Traze consolo ao meu povo, traga cura para o meu povo, então eles serão os que reconstruirão a terra"... Dois anos atrás, Deus me deu esta passagem para a Síria," ela explicou.

 

Mesmo antes da Europa começar a devolver imigrantes para a Turquia em abril de 2016, Clarissa percebeu o que estava acontecendo. "Quando as portas [para a Europa] fecharem, haverá muitos sírios na Turquia. Os turcos não os querem aqui. Os sírios não têm casa, eles não são quistos na Turquia, na Jordânia ou no Líbano. Um turco me disse que a Síria está se tornando um mau cheiro para o mundo... Minha pergunta é, como eu darei cura e conforto aos sírios para que eles sejam os que levarão a cura para o seu país?"

 

No Turquia, Clarissa trabalha ao lado de dois homens sírios, crentes por 7 e 11 anos, respectivamente. "Foi muito emocionante ver seu amor pelos sírios. Eles trabalham muito bem juntos".

 

Sua presença como mulher fortaleceu o time. Clarissa disse: "ter uma mulher nas visitas significa que as senhoras ficarão no quarto e ouvirão o evangelho, e quando as pessoas vierem visitar, se houver uma senhora, eles trarão a esposa e as filhas".

 

Clarissa também descobriu que sua luta para aprender árabe por três anos no Oriente Médio a tinha equipado para mergulhar diretamente no ministério na Turquia, preenchendo uma lacuna de linguagem que outros trabalhadores e membros da igreja turca não podiam. "As pessoas viram a necessidade e a oportunidade, mas eles não tiveram o idioma. Todos os trabalhadores que vêm para a Turquia sabem o turco", afirmou. "Eu percebi que o que estamos lutando hoje pode ser uma grande benção para as pessoas no futuro".

 

Usando o árabe, Clarissa encorajou uma menina síria em uma loja turca lotada. Quando ouviu Clarissa falar seu idioma, a menina lhe deu um enorme abraço. Então "ela continuou me seguindo e conversando em árabe", lembrou Clarissa. Alguns meses depois, Clarissa visitou a garota em sua casa. Mais uma vez, a menina lhe deu um abraço. A menina também veio e assistiu um filme sobre Jesus com Clarissa. "Ela está muito aberta para o evangelho. Ela tem medo do que seus pais dirão, mas ela realmente quer conhecer. Ela está cansada do Islã... Ela tem essa fome nos olhos", disse Clarissa.

 

Durante um evangelismo, Clarissa e os dois homens sírios deram estudos para três casais sírios. Os maridos tinham sido crentes por seis a nove anos, mas as esposas tinham vindo a Cristo nos últimos meses na Turquia. Enquanto orava com uma das mulheres, que estava grávida, Clarissa descobriu um cordão amarrado em torno de sua cintura, prendendo uma bolsa contendo versos do Alcorão.

 

"Eu sei que isso está errado, mas tudo bem? Estou realmente com medo", disse ela a Clarissa.

 

"Vamos perguntar a Jesus", sugeriu Clarissa. "Nós oramos, e ela sentiu que precisava tirá-la. Mas ela não tirou. Então oramos de novo, e ela tirou. "Segurando o saco em sua mão, a mulher retirou uma segunda bolsa, dada a ela por um xeique poderoso. Ela costumava ser cheia de medo, lembrou Clarissa, mas agora "toda vez que a vejo, ela está cheia de alegria e tem esse brilho nos olhos".

 

Recentemente, Clarissa leu novamente a parábola do semeador em Mateus 13. Ela lembrou conversas com outros trabalhadores, que estavam tristes com alguns sírios ao longo da fronteira turca que se tornaram crentes, mas perderam interesse depois de um tempo. A partir da parábola, porém, ela entendeu que algumas sementes no chão rochoso "surgem e depois morrem. Mas então eu li a última linha, sobre a semente que cai no bom chão e dá colheita  100 vezes." Sim, alguns crentes sírios já haviam se afastado, mas "há outros que têm a semente em seu coração, e eu acredito em Deus Os usará para trazer um ministério de 100 vezes na Síria".

 

Ahmed*, por exemplo, já desejava um relacionamento com Deus antes do ISIS invadir sua pequena cidade na Síria. Sua família o contradizia, porém, dizendo-lhe que era errado fazer Deus humano. Em um ponto, ele sentiu a presença de Jesus com ele, mas seus amigos também disseram que ele estava errado. Logo, Ahmed parou de procurar Deus.

 

No dia em que a ISIS chegou a sua aldeia, os amigos de Ahmed o avisaram para fugir. Ahmed viu seus amigos e familiares empacotando suas coisas e fugindo, mas ele não acreditava que a ameaça fosse real. Em vez disso, ele subiu na sua moto e saiu da cidade. Ele viu um grupo de homens se aproximando e decidiu perguntar o que eles haviam ouvido. Quando ele se aproximou, ele percebeu que eles eram  do ISIS. Ambos os lados ficaram assustados um com o outro, mas os soldados do ISIS o pegaram e o jogaram na prisão. Mais tarde, preso em uma pequena cidade controlada pelo ISIS, Ahmed tornou-se o líder religioso islâmico local, substituindo alguém que não conseguia falar o árabe bem o suficiente para liderar as cinco orações diárias.

 

Eventualmente, o ISIS libertou Ahmed, fornecendo-lhe um documento para viajar sem medo de captura por 30 dias. Ele acabou na Turquia, onde, depois de alguns dias da chegada, ele participou de um culto na igreja. Imediatamente, ele tornou-se um crente. Clarissa lembrou-se de sua transformação: "Ele estava com muita fome, querendo conhecer Jesus, ministrar aos outros", descreveu.

 

Na Turquia, Clarissa e os dois homens sírios com quem servia visitaram Ahmed e seus pais. Eles viram Ahmed levar sua família a Cristo - primeiro seu irmão, que vivia na África, depois a esposa de seu irmão. "Sua mãe era um pouco mais aberta, mas seu pai estava muito contrariado", disse Clarissa. "A última vez que fomos visitá-lo, o pai agiu de forma muito diferente em relação a nós e disse: "Todos os meus filhos se tornaram crentes, todos os meus irmãos, e agora, mesmo meu pai se tornou um crente. O que eu vou fazer? Eu não tenho escolha."

 

Agora, Ahmed está de volta à Síria, morando com outro crente e continuando a alcançar outros.

 

Como Ahmed, os sírios na Turquia que estão prontos para receber e aceitar a verdade de Cristo "O recebem muito rapidamente", disse Clarissa. "Às pessoas que não estão prontas para receber, podemos dar-lhes ajuda, mostrar-lhes amor e esperar que elas venham nos fazer perguntas".

 

"O mundo inteiro está orando pela Síria no momento", continuou ela. "Eu me sinto caminhando em uma onda de orações. Deus me mostrou que não é difícil, Deus precisa de alguém para vir e trazer a resposta a essas orações que foram feitas".

 

Ore para que equipes de língua árabe sejam estabelecidas na Turquia. Orem por trabalhadores e recursos, como Bíblias em árabe, para ministrar aos milhares de sírios na Turquia. Ore para que Deus crie crentes sírios para voltar e reconstruir seu país.

 

*Nomes alterados por questões de segurança.

 

Texto original aqui.

 

A OM na Turquia conta com uma família de missionários brasileiros atuando.

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

 

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