NOTÍCIAS

Tomando o jugo das sem esperança

May 25, 2017

Por Andrew Fendrich

Tradução: Tayza Garcia

Foto de Doseong park

 

Na esquina, uma garota está equilibrando uma bacia de metal vazia em sua cabeça. Ela é alta, de pele mais clara do que a maioria em Gana, e bonita. Ela cumprimenta a Coordenadora do Ministério Kayeye da OM em Gana, Portia Owusu-Amoateng, com um sorriso. Eles trocam palavras por um minuto ou dois antes de se separarem.

 

"Estamos tentando ajudá-la antes que ela engravide", diz Portia.

 

A menina tem 18 anos. Ela, juntamente com muitas outras como ela, vive nas ruas de Kumasi, Gana, onde a promessa de um emprego remunerado a atraiu das regiões do norte. Mas o que ela encontrou, como a maioria das mulheres que se mudam para o sul em busca de ganhos decentes, foi estar sozinha e presa em um ciclo de abuso e dificuldade.

 

A tigela de metal vazia será preenchida com farinha de milho, madeira, frutas ou qualquer quantidade de outras coisas pesadas. Sem a tigela, ela vai carregar sacos de arroz em sua cabeça, ou peças de automóveis, como pneus; qualquer coisa que ela seja ordenada a carregar pelas pessoas no mercado que a pagam.

 

Pode parecer um negócio justo: faça seu trabalho, seja pago. Mas, para quase todas as garotas, as cargas ficam mais pesadas e pesadas, e o dinheiro raramente vem, se é que vem.

 

 

Cativeiro em área aberta

 

Para a Kayeye (uma gíria que se origina no sul de Gana que significa "indo levar" e  é usada exclusivamente para denominar as meninas que carregam cargas pesadas em suas cabeças), o ciclo começa no norte de Gana, onde a população é quase 100 por cento islâmica.

 

Ruthina Aryeetey, coordenadora do ministério de crianças da OM em Gana, diz que as meninas no norte de Gana ficam iludidas quando veem suas amigas e vizinhas retornarem do sul com algum dinheiro. Para os que vivem na extrema pobreza, o sul parece uma espécie de terra prometida, onde abundam as oportunidades de ganhar dinheiro. Mas as garotas do norte não sabem o que suas amigas tinham que fazer para conseguir o dinheiro que ganhavam - e assim, em busca da mesma "fortuna", elas viajam para cidades como Kumasi.

 

À medida que começam o trabalho como Kayeye, as meninas logo descobrem que muitos sulistas se apressam em se aproveitar delas, colocando-as para trabalhar como mão-de-obra barata somente por serem do norte.

 

O propósito do ministério da OM, diz Portia, que assumiu o papel de líder do ministério Kayeye, é "alimentá-las espiritualmente com o evangelho, discipulá-las para Cristo e satisfazer suas necessidades físicas".

 

O melhor caminho que a OM em Gana descobriu para isso foi fornecer treinamento profissional para que as meninas possam escapar de um mundo onde carregar as cargas de Kayeye seja sua única opção de trabalho. A OM em Gana oferece cursos de cabeleireiro e trabalho em tecido para meninas Kayeye resgatadas, não só como treinamento profissional, mas como uma oportunidade para discipular as meninas e compartilhar o amor de Cristo com elas.

 

É esse motivo intrínseco que se prova o mais difícil para o ministério de Kayeye, Portia diz. Várias ONGs se organizam para oferecer ajuda às Kayeye, mas "para nós, como uma organização cristã, além de tentar ajudá-las, temos o chamado de compartilhar de Cristo com elas. Mas essas meninas não estão dispostas a abrir-se. Algumas delas estão traumatizadas, então você não pode simplesmente evangelizá-las.

 

Ruthina diz que convencer as meninas Kayeye a vir viver na base da OM em Gana é difícil. "Elas pensam que vir para a OM pode não ser apropriado devido às suas crenças religiosas. Isso as faz voltar atrás", explica ela.

 

As meninas estão dispostas a aprender novas habilidades, mas para a maioria, uma vida na rua parece uma alternativa melhor para viver do que em uma organização cristã. Ruthina lembra de uma mulher há vários anos atrás que queria aprender alfaiataria, mas se recusou a deixar a rua para vir para a OM em Gana. A equipe do ministério Kayeye começou a ensinar a ela o ofício e cobriu os custos de seu treinamento, mas dentro de um ano ela estava grávida, como quase todas as meninas Kayeye se encontram devido a abuso e estupro.

 

"Isso é mais uma razão porque queremos que elas venham a um lugar seguro, para que possamos ensiná-las e orientá-las. Mas elas não entendem isso dessa forma. Eles pensam que nós queremos forçá-las a mudar de religião."

 

Devido à falta de vontade das meninas Kayeye em viver na base, a OM em Gana atualmente abriga apenas 30 meninas. É um número pequeno, em comparação ao número desconhecido mas crescente de meninas na rua (milhares, diz Portia). Mas essas 30 vidas foram transformadas pelo evangelho.

 

"Seria muito difícil ir para lá apenas para tirá-las da rua", diz Portia. "Há tantas ONGs que fazem isso. Mas temos um objetivo. Estamos trabalhando em direção a algo."

 

Em 2015, o objetivo da OM em Gana de transformar vidas trouxe uma menina chamada Asana à base.

 

 

A redenção de Asana

 

Como as carregadoras Kayeye, Asana veio do norte de Gana por necessidade. A terceira de seis filhos, ela viu seus pais se divorciarem por causa da doença mental do seu pai. Sua mãe viajou para o sul para se tornar uma das Kayeye. Asana vivia com sua avó e planejava estudar terapia de beleza, mas aos 10 anos convenceu a avó a deixá-la viajar para o sul também, a ganhar dinheiro para as despesas escolares, que ela não conseguia pagar há algum tempo.

 

No sul do Gana, a irmã de Asana, uma Kayeye, reconheceu imediatamente que Asana era muito jovem para carregar cargas tão pesadas em sua cabeça. Se sua irmã não tivesse intervindo, ela teria seguido o caminho de outras garotas que se encontram presas com uma bacia de metal e uma demanda sem fim de trabalho em condições brutais.

 

Ao invés disso, Asana pegou um trabalho de lavar louça para uma mulher que vendia waakye, um popular prato ganês, na beira da estrada. A mulher concordou em pagar à Asana 5 cedis (aproximadamente US $ 1,25) no final de cada dia. Com o passar do tempo, porém, Asana soube que a mulher não tinha interesse em pagá-la mais de uma vez por semana e, quando pagava, dava apenas alguns trocados que ela tivesse sobrando.

 

Enganada sobre seu pagamento e sozinha, Asana se viu presa na rua por mais de um ano, presa em uma teia de abuso verbal e maus-tratos.

 

Em 2015, uma missionária canadense trabalhando com a equipe da OM em Gana se apresentou a Asana, e imediatamente conversou com o líder da OM em Gana, Chris Insaidoo, sobre como poderia ajudá-la. Somente em novembro de 2015 que a OM em Ghana conquistou a confiança de Asana e a aprovação de sua família, época em que Asana tinha retornado para o norte e estava mais uma vez vivendo na extrema pobreza. Embora sua avó tenha resistido pela primeira vez a idéia, a OM em Gana convenceu-a a trazer Asana para uma nova e melhor vida no sul.

 

Agora com 12 anos de idade e vivendo em uma casa de Gana para meninas em Kumasi, Asana está mais uma vez na escola, os custos cobertos pela OM em Gana, e é a melhor de sua turma. Sua visão mudou: ela não quer mais estudar terapia de beleza. Agora ela planeja se tornar uma enfermeira e retornar para o norte para ajudar os doentes mentais onde cuidados básicos de saúde são inacessíveis.

 

Texto original aqui.

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

 

Compartilhar
Compartilhar
Curtir
Please reload

Notícias em destaque

Lutando contra a pobreza do conhecimento bíblico

May 31, 2019

1/7
Please reload

Notícias recentes

October 30, 2019