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Brasil: Mobilizando 50 milhões

May 17, 2017

Por Nicole James

Tradução: Tayza Garcia

Foto de Nicole James

 

Rafael Bertolino parou à frente do auditório da Igreja Batista IBNAI e incentivou os participantes - na maioria jovens, reunidos para o culto especial em inglês do sábado à noite - para juntar suas mãos em um círculo acima de suas cabeças e, em seguida, abaixar cada mão para os ombros. "Faça de novo", ele desafiou.

 

"O", ele anuncia, enquanto o grupo circulava os braços no ar. "M", ele continua, enquanto abaixavam seus braços. "Agora você nunca esquecerá a organização aonde eu sirvo."

 

 

Um toque pessoal

 

Como um mobilizador de igrejas para a OM no Brasil, o objetivo de Rafael é mais profundo do que fazer com que as pessoas simplesmente se lembrem de "OM". Acima disso, ele deseja ver centenas de pessoas se envolvendo na Grande Comissão. Porém, as pessoas não podem ser enviadas se seus pastores não estiverem a bordo.

 

"Nós percebemos que vamos a igrejas, falamos de missões e todo mundo quer ir, mas então os pastores param (o processo). Então, estamos tentando nos concentrar nos pastores agora", explicou Rafael.

 

Alguns, como o Pastor Ademir Machado da Igreja Batista Nova Aliança em Indaiatuba, captaram a visão. O foco ministerial de sua igreja é desenvolver os chamados dos membros por meio do discipulado em pequenos grupos e "além disso, temos a prioridade de testemunhar Jesus em toda parte, especialmente entre aqueles que têm dificuldade de acesso ao evangelho", disse ele.

 

Para isso, a igreja enviou pessoas, no passado e no presente, para o campo missionário com a OM. "Estou muito grato à OM por ser um canal de bênção na vida missionária de nossa igreja", disse o Pastor Ademir.

 

No entanto, tendo se reunido com mais de 100 pastores durante seu mandato de dois anos servindo em mobilização, Rafael disse que a maioria dos líderes da igreja não priorizam missões no exterior.

 

Uma razão para relutância é o hiato de gerações, explicou o Pastor Humberto Maia Aragão, ex-líder da OM no Brasil. "Alguns pastores são jovens, mas a maioria tem minha idade, 62 anos, e eles nunca estiveram fora do Brasil. Eles não sabem muito sobre missões", explicou.

 

Além disso, "não podem confiar que um pequeno escritório sem (muitos) recursos pode mobilizar a igreja no Brasil", sugeriu.

 

O pastor Alcir Garcia Ramos, da Igreja Batista Memorial em Inhoaíba, ouviu pela primeira vez sobre a OM quando sua filha começou a trabalhar como missionária na base em São José dos Campos. Sua igreja prioriza a pregação do evangelho, participa de campanhas de missões mundiais e nacionais e engaja-se em trabalho social dentro de sua comunidade.

 

"Já estamos envolvidos com agências missionárias da denominação Batista no Brasil", explicou. "Apesar de sermos uma pequena igreja, com 40 pessoas, contribuímos consideravelmente". Apresentar uma nova organização à sua congregação, especialmente a OM, que é desconhecida na região do Rio de Janeiro, e encontrar recursos financeiros adicionais, seria difícil.

 

Para combater essas percepções, a OM deve formar sólidas relações com a liderança da igreja em todo o país, destacou o pastor Humberto. "Brasileiros gostam de um toque pessoal. Adoramos ver pessoas conversando conosco. Acredito que, como igreja no Brasil, precisamos ter mais relacionamentos entre as agências missionárias e as igrejas".

 

Igrejas no Brasil "precisam de ajuda para entender seu próprio contexto e entender o mundo", acrescentou, mas "é uma questão de informação de um amigo... É por isso que para mim é muito importante ter rapazes como Rafael, que conhecem o coração de um pastor e o coração de um missionário".

 

 

50 milhões e crescendo

 

De acordo com a OM no Brasil, em 2010 haviam 97,5 milhões de evangélicos na América Latina, com quase 50 milhões no Brasil. Eles preveem que esse número chegue a mais de 100 milhões de evangélicos no Brasil até 2020.

 

"Eu acredito, teologicamente falando e também em relação a crescimento, que o Brasil é um dos mais importantes países hoje", confirmou o Pastor Humberto. "O que precisamos é ter relevância nas coisas que fazemos em missões. A igreja quer hoje pessoas que podem facilitar o ministério de missões para a igreja."

 

Para construir relacionamentos e mobilizar igrejas brasileiras, a OM fez parceria com o treinamento Enfoque Global para sediar um seminário na base da OM em São José dos Campos, em março de 2017. O Enfoque Global visa capacitar as igrejas locais para o impacto global. De forma prática, isso significa que "nós andamos com eles por um ano inteiro, e durante este ano, a igreja verá seus membros se tornarem mais envolvidos, mas a igreja também verá a importância de missões de forma global e nós oferecemos várias oportunidades com a OM", explicou Rafael.

 

Enquanto algumas relações entre a OM e igrejas devem ser fomentadas ao longo do tempo, outras emergem instantaneamente. Em uma reunião de pastores brasileiros, Rafael compartilhou sobre o ministério OM Ships. Depois dela, um pastor aproximou-se da equipe da OM e os convidou para compartilhar na sua igreja. "Quando saímos da reunião, já tínhamos uma oportunidade agendada", recordou Rafael.

 

Quando o culto de quarta-feira veio, Rafael apresentou a OM à uma sala cheia de jovens. Dentro de alguns meses, as duas filhas do pastor se juntaram ao navio. "O pastor não estava apenas disponibilizando o tempo no culto para nós, mas ele mesmo enviou suas duas filhas. Foi realmente bom. Ele tem sido um bom parceiro para nós", disse Rafael.

 

 

Características-chave

 

Além do número crescente de evangélicos no país, a maioria dos brasileiros exibe características-chave que lhes permitem prosperar em contextos internacionais.

 

Muitos jovens brasileiros se juntam ao Ministério dos Navios após o treinamento de missões (CTM) na OM do Brasil.

 

"Normalmente, o feedback que recebemos é que os brasileiros são muito adaptáveis, e muitas vezes recebem posições de liderança", disse a diretora do CTM, Nelia Leal. "Latinos são muito afetuosos e eles gostam de falar... muitas vezes eles são chamados para ajudar com outras coisas por serem extrovertidos."

 

"Somos realmente flexíveis, especialmente em relação a desafios. Se algo não funcionar, está tudo bem, vamos tentar o Plano B", explicou uma missionária brasileira que vive no norte da África. Ela também encontrou semelhanças entre seu país de origem e seu novo país: "Em nossa cultura, as pessoas são mais importantes do que deveres ou seu tempo. Por isso, tudo bem passar três horas em uma visita ou receber pessoas em sua casa por um longo tempo ou mesmo receber visitas inesperadas."

 

"A igreja brasileira recebeu tanta ajuda ao longo dos anos e agora pode fazer a diferença", afirmou o pastor Ademir. "Nosso povo é relacional e essa característica pode ser estratégica para alcançar o mundo".

 

 

Janela de dez anos

 

No ano passado, Rafael estava desanimado, tendo visto poucos frutos de seus esforços de mobilização. Até que ele aprendeu, com um colega que trabalhava em mobilização para uma organização diferente, que pesquisas mostravam que normalmente leva-se dez anos a partir do dia em que alguém se sente atraído para missões até o dia em que ele ou ela vai para o campo.

 

Quando pensou em sua própria experiência, Rafael percebeu que a estatística era verdadeira. "Meu tio estava em um treinamento de discipulado com George Verwer. Ele voltou e disse algo sobre um navio quando eu tinha sete ou oito anos", lembrou Rafael. "Deus trouxe à memória o navio, e eu fui pesquisar sobre ele quando eu tinha 24 anos. Mas quando eu disse, de verdade: Estou indo para missões, ou pelo menos eu senti o chamado, eu tinha 14 anos."

 

Perceber que aqueles que se juntaram à OM hoje provavelmente tiveram seu primeiro contato com missões há cerca de uma década atrás "foi um alívio, pelo menos", disse Rafael. Porém em 2017, metade dos estudantes que frequentavam o programa de treinamento na OM Brasil vieram de igrejas onde Rafael havia se apresentado no ano anterior. "Foi uma resposta de Deus", ele diz.

 

Ore para que a OM no Brasil construa relacionamentos fortes com as igrejas locais. Ore para que pastores e igrejas priorizem missões globais e mobilizem milhares de brasileiros para levar o evangelho ao povos menos alcançados.

 

Nicole James é uma escritora internacional da OM, apaixonada por publicar histórias sobre o trabalho de Deus entre as nações e dizer às pessoas sobre as coisas maravilhosas que Ele está fazendo em todo o mundo.

 

Texto original aqui.

 

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.

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