Uma descendente de refugiados


#Sérvia Desde 2017, Lídia atua no campo de refugiados de Adaševci, no extremo oeste da Sérvia. Localizado na "Rota dos Bálcãs", escolhido e apoiado por refugiados e migrantes, o campo está próximo da fronteira com a Croácia, que, sendo o país mais próximo dentro da União Europeia, é o destino mais óbvio para os refugiados. A fronteira está fechada para eles, no entanto, na Sérvia eles podem ficar.


Aproximadamente 1.200 refugiados, a maioria do Oriente Médio e oeste da Ásia, estão alojados no campo, localizado em um antigo complexo de motéis abandonado. Desde que a "crise dos refugiados" europeia estourou pela primeira vez, em 2015, a OM tem tido uma presença humanitária na área e hoje funciona como organização não governamental (ONG). Lídia lidera uma pequena equipe permanente de voluntários sérvios, com a ajuda, no pré-confinamento, de voluntários de curto prazo do exterior.


Uma descendente de refugiados


Como grande parte dos Bálcãs, a história da Sérvia foi influenciada por conflitos regionais e internacionais. O campo de refugiados de Adaševci fica na província de Vojvodina, que uma vez foi parte do Império Austro-Húngaro. Essa história subsiste ancorada em sua colcha de retalhos de diferentes grupos de pessoas e etnias, principalmente sérvios, mas também húngaros, eslovacos, bósnios, croatas e romenos. Os protestantes eslovacos fugiram da opressão religiosa em sua terra natal no século XVIII, buscando uma nova vida nesta região agrícola fértil. A própria Lídia cresceu em uma vila de maioria eslovaca. Hoje ela vive na cidade de Šid, a apenas seis km de Adaševci.


Nos assentamentos de paz, após a Primeira Guerra Mundial, Vojvodina tornou-se parte do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, mais tarde renomeado reino da Iugoslávia. Após a Segunda Guerra Mundial, tornar-se-ia a Iugoslávia socialista de Tito. Quando Lídia nasceu, em 1993, o conflito iugoslavo ainda repercutia sua fúria nos Bálcãs ocidentais. Vojvodina não foi afetada diretamente pelos combates e tornou-se um refúgio para sérvios étnicos expulsos da Croácia. Edifícios foram transformados em campos de refugiados improvisados, abrigando milhares de refugiados que chegaram sem quase nada. Então, em 1999, durante o conflito no Kosovo, Vojvodina foi alvo do bombardeio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) à Sérvia. A área de origem de Lídia foi poupada, mas partes da província sofreram mortes e danos.