'Pior do que as notícias’


#Líbano "Geralmente, a mídia esboça um mapa negativo ou mostra aspectos malignos da realidade, mas, desta vez, eu diria que é pior do que as notícias possam fazer sugerir", compartilhou Jeremias*, um obreiro que supervisiona os projetos de ajuda e desenvolvimento da OM no Oriente Próximo, sobre a explosão que devastou Beirute em 4 de agosto de 2020.


Desde então, na verdade, as notícias internacionais estão mais favoráveis, no entanto a vida permanece tormentosa, atribulada para centenas de milhares de pessoas no Líbano. Indivíduos que perderam entes queridos, suas casas, seus meios de subsistência e sua sensação de segurança. Vários membros da equipe da OM no Oriente Próximo passaram um tempo em Beirute — perto da área portuária onde ocorreu a explosão — para ministrar e compartilhar com os diretamente impactados pela explosão.


“Os esforços para ajuda são pequenos, mas altamente interligados, relacionados", explicou um membro da equipe. "Identificamos diretamente aquelas pessoas em extrema necessidade, ou as descobrimos indiretamente por meio de outras. Em todos os casos, primeiramente ouvimos a história ou situação de cada indivíduo, perguntamos se eles gostariam que orássemos por eles e, quando apropriado, ajudamos a atender a alguma necessidade ou damos dinheiro".


Para Jeremias, que, no momento da explosão, estava próximo à área mais devastada do porto, a destruição física deve ser avaliada à luz das outras dificuldades que o Líbano já vinha enfrentando.


"Tudo mudou… duas vezes", disse ele. Em outubro de 2019, o povo libanês declarou Thawra (protesto) contra uma proposta de imposto sobre o aplicativo de mensagens WhatsApp e continuou protestando até que o governo renunciasse. Enquanto isso, os preços dos bens básicos dispararam, e a moeda local desvalorizou-se drasticamente. Em fevereiro de 2020, o novo coronavírus fechou o país, causando ainda mais tensão econômica. "Até a explosão, 60% do país estava desempregado", estimou Jeremias. "Essa era a situação no Líbano, e, depois, quando a explosão ocorreu, ficou ainda pior. Tudo mudou, de novo".