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Mulheres do deserto


#PenínsulaArábica Quando Sophie* (Alemanha), uma trabalhadora num mercado do Oriente Médio ouviu sobre um concurso de beleza para camelos acontecendo há algumas horas de distância da sua casa, ela reservou um hotel para o fim de semana. Entretanto, mais tarde os organizadores mudaram as datas do espetáculo, deixando-a com um quarto sem reembolso. Ela falou com uma amiga, Rebecca*, e as mulheres decidiram viajar juntas, usando o final de semana como uma oportunidade de orar pela região - composta de vilarejos remotos sem acesso ao evangelho - e talvez, se encontrar com algumas mulheres locais.


Depois que Sophie e Rebecca chegaram, elas passaram o dia todo dirigindo pelas vizinhanças, passando por casas em boas condições, mas aparentemente abandonadas. “Não vimos uma alma viva, nem mesmo um homem,” disse Sophie. “Apesar de passarmos bastante tempo orando pelos vários vilarejos que atravessamos, ficamos um pouco decepcionadas no fim do dia porque a viagem não rendeu nem mesmo um ‘olá’, muito menos tempo para sentar com algumas mulheres.”


Quando estavam de partida na manhã seguinte, Sophie sugeriu que passassem pelo local do concurso de beleza de camelos a caminho de casa, explicando que alguns dos beduínos já teriam transportado alguns dos seus camelos mais bonitos até o local.


Entrando na área do espetáculo, elas passaram pelos estábulos de carro, admirando os camelos. Então, Sophie viu um rebanho especial de camelos pretos um pouco longe. Elas foram até lá e pararam perto dos camelos. O cuidador bengali imediatamente cumprimentou-as e, percebendo uma caminhonete vindo na direção deles, informou as mulheres que o dono dos camelos estava vindo.


“Precisamos pelo menos cumprimentá-lo... e não fechar as janelas porque estamos olhando para os camelos dele,” explicou Sophie.


Quando o dono parou o carro, ele fez uma pergunta inusitada: “Vocês gostariam de conhecer minha mãe e irmãs?”


“Eu adoraria,” respondeu Sophie. “Realmente senti que poderia confiar nele... Ele foi muito decente e formal, e eu não estava disposta a deixar essa oportunidade passar.”


Como seria impossível os três se apertarem no táxi, Sophie e Rebecca subiram na traseira da caminhonete, passaram por três dunas de areia e chegaram na frente de sete tendas com cerca de 30 mulheres dando as boas-vindas.


Elas passaram o dia todo com as mulheres dentro das tendas, tomando café, almoçando e rindo. Enquanto estavam comendo, uma delas mencionou como eles abençoam a comida no Islamismo, abrindo uma porta para Sophie e Rebecca compartilharem sobre como abençoam a comida e explicarem sobre o Cristianismo e no que acreditam. ‘Eu aproveitei a oportunidade de conhecê-las, então falamos sobre onde moram e, na verdade, elas moram naquela área. Então, claro, nós trocamos números de telefone e saímos no fim da noite porque precisávamos voltar,” ela disse.


No próximo final de semana, Sophie acordou sem nenhum alarme as três da manhã. Percebendo que era o segundo dia do concurso de beleza de camelos, ela espontaneamente decidiu dirigir de volta àquela área. Ele chegou as sete da manhã, aproveitou a competição de camelos da manhã e depois, dirigiu pelas três dunas de areia na esperança de encontrar o mesmo lugar com as tendas das mulheres. Quando as encontrou, elas celebraram, impressionadas por Sophie se lembrar do caminho e retornar para visitá-las tão cedo. “Eu passei a noite e tivemos um tempo maravilhoso,” relembra. “Tivemos conversas realmente muito boas e elas me convidaram a visitá-las na sua casa depois do concurso de beleza de camelos... Realmente é incrível ter contatos ali uma vez que envolve várias famílias diferentes.”


“Temos uma paixão e um chamado para alcançar o povo local, mas... algumas vezes parece que é sempre essa rua de mão única onde você precisa se enfiar nesses relacionamentos,” explica. “Então esses dias quando você diz, OK, vamos juntar toda a nossa coragem e não visitar os contatos que já temos, mas simplesmente tentar criar novos contatos do zero, é realmente uma recompensa conseguir alguns.”


Por Deus, missões, não!


Sophie cresceu num lar cristão, mas morava duas casas de distância da família não-cristã da sua melhor amiga. “Então acho que sentia que precisava decidir. Não dava pra ser os dois,” reconhece.


Apesar de ter sido ridicularizada algumas vezes por sua fé, “senti que eles tinham falta de algo que nós temos,” compartilhou. “Eles parecem felizes, mas por que sentem a necessidade de nos ridicularizar pelo que temos? Nossa fé nos dá amor até mesmo por aqueles que nos ridicularizam, nos dá segurança, alegria e sustento durante as decisões difíceis da vida, uma vez que sabemos que sempre podemos ir para Jesus.”


Apesar de sua firme decisão de seguir a Jesus pouco antes de completar 14 anos, Sophie estava igualmente determinada a deixar missões transculturais para os outros. Aos quatro anos, ela doou sua boneca favorita durante uma campanha de brinquedos da sua igreja - que seriam enviados para órfãos na Índia como uma maneira de compartilhar do amor de Cristo com eles. Sua mãe tentou persuadi-la, mas Sophie lhe disse: “Se eu der algo realmente caro para eles, eu nunca vou precisar ir lá.”


Chocada sobre como Sophie calculou sua escapada de missões, sua mãe anotou essa memória. Para Sophie, a ideia se transformou numa mentalidade. “Eu visitei o Logos II como parte de uma excursão da escola em 1994. Mais tarde, fui ao TeenStreet alguns outros eventos para adolescentes, onde sempre alguém falava ‘Fique de pé se você quer fazer isso ou ir para lá.’ Eu sempre ficava sentada,” ela relembra. “Eu gostava de missões. Isso é ótimo, simplesmente não é para mim, pois já fiz a minha parte.”


Eventualmente, Sophie visitou o navio da OM, Doulos, quando ele aportou na sua cidade. Durante a apresentação da noite, um homem contou o seu testemunho “e ele basicamente destruiu todos os meus argumentos porque eu não me encaixava em missões,” disse ela. Então ele perguntou às pessoas quem sentia que Deus os estava desafiando a se levantar.


“Eu pensei comigo mesma: ‘Isso é tão ridículo porque eu nunca vou me levantar para essas coisas,’” compartilhou. “Dentro de mim, eu sabia que deveria. Não significava que eu deveria fazer as malas e sair para missões, mas ficar de pé e reconhecer que há algo acontecendo e que eu precisava orar a respeito.”


O palestrante esperou e esperou e esperou. Sophie se levantou.


Jornada ao Oriente Médio


No verão seguinte, Sophie se juntou ao navio. Ela doou dois anos a Deus. “Aí eu estava no navio por três anos, e quando saí, eu já sabia que iria vir [para o Oriente Médio] porque tínhamos vindo aqui no navio e realmente senti que deus estava me falando para vir para cá,” ela disse.


Dois trabalhadores de longo prazo no mundo Árabe navegaram no navio do Sri Lanka no Oriente Médio quando Sophie estava a bordo. “Pelo menos para mim, eles realmente eram capazes de plantar a empolgação de orar pelas pessoas,” ela se lembra.


Sophie também conheceu cristãos secretos da região que visitaram o navio. “Eu estava fascinada pelo que eles passam pela sua fé e pelo tanto de encorajamento que podemos dar para alguém que está tão desconectado da comunidade ou de outros crentes,” ela disse.


Durante uma saída em particular, Sophie visitou uma oficina igual à sua experiência profissional na Alemanha. O trabalhador local ofereceu a vaga ali mesmo, dizendo que ele só podia servir homens e crianças porque não tinha nenhuma mulher na sua equipe. “Foi nesse momento que pensei: ‘Oh, eu não preciso ser uma enfermeira ou uma professora para ser útil no campo transcultural a longo prazo,’” reconheceu.


Realmente, o trabalho de Sophie garante o seu visto e seu propósito na sociedade que ela serve hoje. “Na verdade, todos os dias estou em contato com o povo local,” disse. “Por isso que não sinto que meu trabalho é apenas uma plataforma e está tirando tempo do meu ministério; ele realmente está abrindo muitas portas.”


Durante a crise do coronavírus, a empresa de Sophia reduziu o número de empregados a fim de manter a distância social. Sophie continua empregada mas teve que tirar suas férias anuais

enquanto o país está de quarentena. “Por um lado, é uma pena, já que significa que não vou poder ir para casa esse ano... e não posso nem usar esse tempo para visitar os locais,” ela compartilhou. “Mas glória a Deus pelo WhatsApp! É um ótimo tempo para falar sobre o medo versus confiança, preocupação versus esperança, encarar a morte versus a vida eterna. Sou grata por esse tempo inesperado de descanso, onde a velocidade foi removida de nossas vidas e pela oportunidade de me conectar via telefone e bate-papos da mídia social com meus amigos e contatos locais.”


A OM está em campanha no mundo inteiro para trazer socorro por impactos causados pelo COVID-19. Sua oferta e orações são muito bem-vindas e necessárias. Acesse www.om.org.br/covid para ofertar para campos em necessidade imediata.

*Nomes alterados por questões de segurança


Tradução por John H.

Revisado por Eunice L. Amaro

Texto original aqui.

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