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Esperando


#Internacional Se você tivesse me perguntado, antes deste ano, se eu tinha paciência, teria dito que, embora nem sempre tivesse sido divertido, eu era muito boa nisso. A vida, afinal, é cheia de percalços: desde esperar na fila, esperar até crescer, ou mesmo esperar para conseguir o apoio para ir servir no exterior etc. Aos 36 anos e solteira, ainda estou esperando o casamento. Então, eu gostaria de pensar que sou muito boa em esperar.


Então veio a pandemia de covid-19, e junto com ele, bloqueios, quarentenas e fronteiras fechadas.


Minha situação pessoal é que eu completei meu primeiro compromisso de dois anos no exterior em março, parti para uma licença de três meses no meu país natal e planejei voltar ao campo em junho. Eu, no entanto, não pude voltar por causa das fronteiras fechadas. Sendo assim, planejei mudar de campo em 2021. Decidi fazer isso seis meses antes, em 1º de setembro.


Estou escrevendo isso, porém, em novembro. E as fronteiras do meu futuro país, onde deveria servir, ainda não abriram. Eles voltaram para o confinamento. Participei de reuniões de oração e conversas online, mas não é o mesmo que estar lá pessoalmente. No meu país natal, tive que esperar as coisas ficarem mais flexíveis para que eu pudesse ver meus amigos, família, apoiadores e comunidade da igreja.


Eu nunca estive tão claramente impedida como agora. E enquanto eu estou segura “em casa” (uma expressão tão complicada para um trabalhador estrangeiro), ainda há um deslocamento sem fim à vista.


No começou, era “bom”, porque eu pensei que seria apenas por um mês ou mais. Agora, nove meses depois, estou cansada de esperar. Estou pronta para ir. A única coisa que me segura é que o país para onde devo ir ainda está fechado... e não posso dizer quando ele vai abrir.


Foi só recentemente que percebi que estava com raiva de Deus. Também me senti presa, deslocada, frustrada, triste, assustada e decepcionada. Oh, decepção! Definitivamente, isso deixa o meu coração triste.


Estou triste por não poder ter dito adeus àqueles que deixei no exterior. Afinal, eu não saí por causa da Covid-19! Era uma pausa planejada, e eu tinha uma passagem de volta. Eu tinha um apartamento. Eu tinha amigos e uma igreja lá, uma grande equipe, ministério e propósito. Deixei tudo com um "até junho!". Em vez disso, perdi uma casa, as coisas que deixei lá, uma nova língua, relacionamentos bonitos e o encerramento do meu primeiro compromisso de longo prazo.


Este longo tempo no meu país natal tem sido um presente. Afinal, quantas vezes em nossas vidas, como trabalhadores estrangeiros, isso acontece? Eu, realmente, sou grata por isso, mesmo que eu gostasse de estar no exterior. Eu vivo no meio, e é uma tensão com a qual vivo todos os dias. Honestamente, passei muitos meses pensando que sairia rapidamente que não ficaria permanentemente aqui. Afinal, seria apenas temporário. Agora, o "limbo" de nove meses está me alcançando.


De todas as incógnitas agora, eu sei disso: a verdade absoluta, imutável é que Deus ainda está no controle, ainda no comando e ainda é confiável. Ele ainda é soberano, ainda todo poderoso, todo consciente e sempre presente. Ele não mudou e não vai mudar! E, depois de viver em uma época em que, literalmente, tudo, em todo o mundo, mudou, essa é a coisa mais reconfortante que eu poderia saber ser verdade.


O que também é reconfortante é saber que Deus não me esqueceu. Ele sabe onde estou. Ele sabe onde estarei no próximo mês (algo que eu não sei) e ele está aqui comigo agora.


Quando me mudei para o exterior, pedi conselhos a um amigo sobre como não deixar a saudade me sobrecarregar. Ela sugeriu que, naqueles momentos, eu devia agradecer a Deus pelas pessoas, lugares, atividades, comida, tudo que poderia estar perdendo naquele momento. Quando tentei, descobri algo poderoso: oferecendo louvor sincero a Deus, por mais fraco que fosse no início, tudo mudou. O louvor a Deus, mesmo em meio a sofrimento, fez mudar minha perspectiva, minha atitude e minha caminhada com ele, ajudou-me a ver o poder do louvor que vem de um lamento, de uma expressão de fé, confiança e gratidão em meio à perda e sacrifício ou uma exclamação que diz: "Eu vou elogiá-lo apesar de tudo, porque você é bom e confiável".


Ao olhar para trás nos últimos nove meses e de estar em trânsito, vejo que há tanto pelo que agradecer. Cada momento é uma oportunidade de elogiá-lo, mesmo na espera, do desconhecido e na dor da perda. Honestamente, é uma escolha que ainda estou aprendendo a fazer, mas, nesse período, eu experimentei sua paz de uma forma maior.


"Você transformou o meu choro em dança; você removeu minha toalha de saco e me vestiu de alegria, para que meu coração pudesse cantar seus louvores e não ficar em silêncio. Senhor meu Deus, eu vou elogiá-lo para sempre." (Salmo 30:11-12 -NIV)


Kate adora contar histórias sobre o que Deus está fazendo no mundo e mal pode esperar para voltar para o exterior. Até lá, ela está aproveitando o tempo com seus amigos, família e cachorrinho.


A OM está em campanha no mundo inteiro para trazer socorro por impactos causados pelo COVID-19. Sua oferta e orações são muito bem-vindas e necessárias. Acesse www.om.org.br/covid para ofertar para campos em necessidade imediata.


Tradução por Orlando Silva

Revisado por Eunice L. Amaro

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