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Deus me ama, e Ele se importa comigo


#Internacional O melhor traje da vovó foi um Cheongsam, um vestido chinês com uma gola dura voltada para cima, feito sob medida. Ela raramente saía do apartamento, exceto aos domingos. Os domingos eram sempre os mesmos. Cada um de nós tinha funções em diferentes andares do nosso prédio de 17 andares, perto do centro de Hong Kong. Vovó era a pessoa que fazia atendimento em sua classe bíblica de senhoras idosas. Papai era diácono, mamãe conduzia o coral, e minha irmã e eu ajudávamos no berçário. Eu não gostava da tarefa de colocar lençóis escorridos uniformemente sobre colchões de bebê, mas fazer isso tornava a igreja mais acolhedora, como uma casa. Eu "dei minha vida a Jesus" várias vezes durante esses anos. Eu não tinha uma razão para não fazer isso.


Enquanto crescia, eu aceitava tranquilamente a ideia de que Deus amava o mundo. Eu absorvia as conversas dos meus pais com o amigo deles, da Costa do Marfim, que nos visitavam durante sua licença. Lembro-me de ir ao porto visitar um grande navio com uma livraria (quem teve uma ideia dessas!?!). Fiquei fascinada pelo pensamento de que a amiga dos meus pais, Srta. Chan, vivia a bordo, porque queria compartilhar o amor de Deus com o mundo. Emocionava-me sempre que cantava canções que ligavam Jesus a todas as nações. Quando um pregador nos encorajou a perguntar a Deus sobre nossa vocação, eu já tinha uma resposta: viajar pelo mundo e comunicar o amor de Deus por meio da música. Eu tinha uma vaga noção de que isso tinha algo a ver com minha forte emoção ao cantar os hinos, mas tudo só fez sentido algumas décadas depois. Naquela época, eu acreditava que o amor de Deus era uma verdade importante para o mundo inteiro, mas eu pensava nisso mais como uma lição a ser aprendida, ou um conceito a ser compreendido.


Naquela época, meu coração estava no trompete, meu primeiro amor. Passei de "nerd quieta" para a "trompetista" entre 10 e 13 anos. Eu estava impactada pela possibilidade de preencher uma sala com o som do meu trompete. O trompete falou de uma maneira que as palavras não conseguiam. Eu realmente queria me tornar uma trompetista profissional. Gostaria que essa pudesse ter sido ideia de Deus, mas tinha medo de descobrir. Não me atrevi a deixá-lo decidir sobre o que eu tinha tanto receio de perder.


Verão, 1995 - Levei minha ambição de tornar-me trompetista comigo para minha nova casa em Calgary, Canadá. Enquanto isso, eu “trompetava” meu caminho pelos de campos de futebol usando um uniforme de banda marcial completo com uma capa de ombro e um chapéu com uma pluma em cima. Eu “trompetei” meu caminho para a universidade em Montreal; 18 anos e armada com planos de criança de 10. Sozinha em meu pequeno apartamento, com minha própria panela de arroz e contas de luz pela primeira vez, tive que lidar com a liberdade que tinha para nunca pegar a Bíblia que meus pais deixaram na minha prateleira. Eu não fui muito longe, principalmente por razões sociais. Eu era muito tímida para me aventurar fora da "bolha cristã."


No início do meu segundo ano na universidade, meu amigo Carleen e eu começamos um grupo de oração com colegas estudantes de música. Essas reuniões, às segundas-feiras, à tarde, tornaram-se conversas francas com Deus, na frente um do outro. Havia pouco espaço para se esconder. Não demorou muito para eu ter que confessar uma descoberta constrangedora: eu era incapaz de orar: "Senhor, tudo bem se tocar trompete não é sua vontade para mim..." Quando eu tentava formar essa frase na minha cabeça, eu me encolhia de ansiedade. Eu não sabia quem eu era, só sabia que tocava trompete.


Durante as férias de verão daquele ano, finalmente aceitei que a vontade de Deus para a minha vida eram mais importantes que meus sonhos profissionais na música. Enquanto eu tentava, entre soluços, articular uma oração de rendição, o amor de Deus, célere, imediatamente preencheu o vazio deixado por minha ambição. Foi quando essa verdade migrou da minha cabeça para o meu coração: o Deus que ama o mundo inteiro me ama especialmente. Seu amor é para todos os tempos e para o aqui e agora. Eu, geralmente, tenho mais dificuldade para aceitar o último.


'A porta está entreaberta'


Deus me amou em todos os momentos. Por caminhos tortuosos e pós-graduação, até o norte da África, onde me tornei professora de música em uma cidade onde menos de um por cento da população seguia Jesus. Pensei que servir a Deus no exterior significava que eu não tinha mais que lidar com o perfeccionismo de ser musicista. No entanto, no meio de uma temporada em que nada estava indo bem, eu estava de volta com as mesmas dúvidas. Eu queria fazer diferença. Eu pensei que isso significava produtividade, e que tudo estivesse indo bem. Numa manhã de primavera, eu me surpreendi ao acordar tão cedo quanto os pássaros. Senti que precisava ir até o telhado com meu violão. Enquanto cantava uma oração, dei-me conta: Deus gosta de mim. Sua plenitude, em mim, não depende de mim. Eu não tinha que ficar na porta da casa do Pai, tentando ser perfeito na esperança de um convite. A porta está entreaberta. Meu lugar é lá dentro.


Por meio dessa oração cantada, Deus me enviou novamente e, dessa vez, com o orar como minha tarefa principal. Da casa do Pai, eu aprendo a ouvir e perguntar como uma filha preciosa daquele que é amor em movimento dentro de si mesmo. Na presença de Deus, aprendo a orar as Escrituras com curiosidade e confiança. Acho que ele sempre quer que eu fique por perto, mas nunca sei o quão bem eu estou administrando isso. Amigos que oram juntos tornam-se família. Oramos por meio do terreal, do impossível e da diversão. A oração impulsionou nossa proclamação. É nosso estar em Jesus, por meio da crença em sua palavra e, sobretudo, por ter certeza de que ele está ali no nosso bairro onde poucos o querem conhecer, ainda. Conversas íntimas com o Pai, na sala de estar, estimulam, sustentam e fazem crescer comunidades vibrantes.


Durante este período de confinamento, meus pensamentos andam em círculos: talvez eu devesse conseguir um emprego no supermercado. Sinto falta de ter destinos de viagem, e horários que me tirem da minha mesa que fica a apenas um metro da minha cama. Um livro que pedi chegou, alguns dias após começar a quarentena. É o "Convite à Solidão e ao Silêncio", de Ruth Haley-Barton. Na primeira página está uma oração escrita por Ted Loder. Começa assim: "Acolha-me para estar com você como você está comigo." Tenho orado isso com frequência, como lembrete de que Deus está a enviando intercessores e criando atalhos com seu amparo, sempre. Ele nos ama, e gosta de estar conosco. A partir deste lugar de pertencimento e prazer, podemos acelerar ou pausar, ou, ainda, falarmos com as pessoas por meio do Zoom (aplicativo de reuniões e conversas) e, assim, encurtar as distâncias com a família, entes queridos ou amigos.


Louisa está atualmente em Montreal, Canadá. Ela é (remotamente) uma parte do Centro de Oração em Zaventem, Bélgica. Durante a maior parte dos seus 30 anos, Louisa chamou o norte da África de lar. Enquanto estava lá, ela servia em uma comunidade eclética de oração, principalmente por meio de canções e refeições. Louisa gosta de explorar os lugares a pé, sentar-se debaixo de árvores e fotografar coisas que a fazem pensar.


Tradução por Orlando Silva

Revisado por Eunice L. Amaro

Texto original aqui.


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