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Deus está no comando


#HongKong Carmen tinha imaginado, depois do ensino médio, e universidade, uma vida muito diferente: um dos mais bem remunerados empregos de Hong Kong e boas condições financeiras para sustentar seus pais, bem diferente da tuberculose (TB) que agora debilita seu corpo ou as inúmeras visitas diárias à clínica, o que atrapalhou seus estudos e seus sonhos.


Durante sua estadia no hospital, porém, ela conheceu uma outra paciente de tuberculose, uma jovem indonésia que tinha viajado para Hong Kong a trabalho e que tinha recebido Carmen com um enorme sorriso. Um dia, quando Carmen viu a mulher chorando, ela perguntou o porquê. A mulher respondeu que se sentia sozinha em Hong Kong, pois sentia falta de sua família. Ela disse que era muçulmana, mas sabia que Alá não ouviria suas preces porque ela não era um dos ímãs, um líder muçulmano.


Carmen, que começou a seguir Jesus no ensino médio, ofereceu-se para orar por ela. "Eu sou cristã", disse a ela, "e tenho 100% de certeza de que Deus ouvirá minha oração."


"Depois disso," Carmen diz com uma risada, "nós nos divertimos muito juntas no hospital." As duas ex-pacientes ainda se conectam por meio do Facebook.


Em retrospectiva, após nove anos, Carmen percebe que Deus usou esse encontro para ampliar sua compaixão pelos muçulmanos tanto quanto pelas minorias étnicas que vivem em Hong Kong, preparando o palco para seu futuro trabalho. Como resultado, ela não vê mais sua tuberculose como uma “maldição”.


Nove anos depois, ela ajuda a administrar um centro em Hong Kong que fornece ajuda educacional e prática à minoria étnica paquistanesa em Sham Shui Po, um dos distritos mais pobres de Hong Kong. Por meio desse trabalho, seu carinho para com os muçulmanos e sua empatia pelas minorias étnicas de Hong Kong se misturaram.


"Deus realmente os ama", diz ela. "E precisa que as pessoas lhes digam como ele as ama!"


Encontrando refúgio


Aos 16 anos, Carmen experimentou esse amor em primeira mão. Ela vem de uma família budista, mas, quando criança, em Hong Kong, frequentou escolas primárias e secundárias cristãs. Em seu terceiro ano de ensino médio, começou a frequentar estudos bíblicos diários organizados por um pastor. Ela descreve essas reuniões de pequenos grupos após o almoço como "um ponto de virada" em seu desenvolvimento espiritual, ajudando-a a ter respostas para muitas de suas perguntas e expondo-a a adorar canções e ensinamentos bíblicos.


Nessa época, ela terminou um relacionamento com o namorado, e, no drama hormonal do ensino médio, isso também a levou a um desentendimento com outra amiga, o que deixou Carmen arrasada. Ela estava chorando em casa quando a letra de uma canção de louvor surgiu em sua cabeça: "Deus é meu refúgio... Ele é meu abrigo... Ele vai me proteger.”.


A paz encheu seu coração, uma sensação de calma que ela diz nunca ter experimentado no budismo. Ela chamou seu pastor: "Eu quero me tornar uma cristã. Diga-me o que fazer.”


A família de Carmem descobriu sobre sua decisão, quando ela se recusou a participar do Festival do Fantasma, festa em que as pessoas queimam dinheiro e preparam comida e frutas para seus ancestrais. Surpresa e insatisfação foi, inicialmente, a reação de seus pais. Alguns criticaram sua rebelião contra a tradição, outros preocuparam-se porque acreditavam que , tornando-se cristã, Carmen nunca iria se casar.


Durante um episódio de conflito familiar, enquanto se escondia no banheiro e ouvia sua mãe se enfurecendo do lado de fora, ela lembrou-se do versículo na Bíblia em que Jesus ordena aos seus seguidores que "odeiem" até mesmo suas famílias por amor a ele. "Quando você diz: 'Eu sou um seguidor de Jesus', você tem que desistir de algo também", percebeu Carmen.


Após o ensino médio, a amizade de Carmen com a mulher indonésia ampliou sua consciência sobre a difícil situação das minorias étnicas em Hong Kong, e tomou conhecimento de uma missão local de curto prazo por meio de um irmão da igreja envolvido com OM em Hong Kong. Nesse programa de 11 dias, ela vagava pelas ruas, conversando com trabalhadores domésticos indonésios e fazendo visitas domiciliares a famílias paquistanesas.


"Deus realmente abriu meus olhos para ver como essas pessoas em Hong Kong são meus semelhantes", diz ela. "E Deus também se preocupa com eles física e espiritualmente."


Ela continuou a ser voluntária no programa por um ano, até que, em 2013, o fim de seus tratamentos de TB permitiu que ela viajasse para a Malásia, para participar de uma viagem internacional de missões de curto prazo. Carmen chegou à Malásia no mês de do Ramadã – o mês muçulmano de jejum – e ao ouvir o adhan, o chamado musical à oração, entendeu o quanto Jesus desejava mostrar aos muçulmanos seu amor.


Percebeu que ela tinha vindo até a Malásia, quando os muçulmanos em seu próprio país precisavam desesperadamente conhecer esse amor. Depois de um dia de jejum e oração, ela se comprometeu a se juntar ao OM em Hong Kong em tempo integral.


Demonstrando amor


As duas vertentes do ministério de Carmen ocorrem todas as semanas na quarta e sexta-feira. No meio da semana, sete estudantes paquistaneses, do ensino fundamental ao médio, vêm ao centro onde ela trabalha para receber treinamento um a um de voluntários da igreja que os ajudam a se preparar para os exames e terminar seus deveres de casa.


Nesses eventos semanais, o centro também fornece uma variedade de serviços práticos para as famílias paquistanesas pois, muitas vezes, lidam com a pobreza e poucas oportunidades educacionais. De acordo com o South China Morning Post, muitas das minorias étnicas de Hong Kong, que compõem 8% da população, lidam com o "racismo de porta dos fundos" ao tentar abrir contas bancárias, solicitar escolas ou alugar apartamentos. Desse grupo desfavorecido, os paquistaneses têm o pior: um relatório do governo de 2016 detalhou uma taxa de pobreza de 56,5% para os paquistaneses, a mais alta entre os grupos étnicos minoritários de Hong Kong.


No centro, Carmen e os voluntários fazem o que podem para ajudar a aliviar essa situação: acompanhar mulheres paquistanesas aos seus check-ups hospitalares, prestar serviços legais aos jovens paquistaneses e ajudar as famílias paquistanesas a se mudarem para novos apartamentos.


"Não só nos preocupamos com suas necessidades religiosas, mas também nos preocupamos com suas vidas", diz Carmen.


Como uma mulher jovem e solteira, ela particularmente se preocupa com as meninas paquistanesas. Com algumas delas manteve contato durante seus nove anos servindo essa comunidade, vendo os alunos da quarta série, eventualmente, florescerem em adolescentes. Usando o WhatsApp, ela costuma trocar mensagens de texto com essas meninas, que a veem como confidente, e, ocasionalmente, as convida a passar um tempo com ela, conversando ou fazendo passeios pelo campo.


Carmen tinha a mesma idade dessas meninas paquistanesas quando ela primeiro comprometeu seu futuro com Cristo, e ela continua a se maravilhar com a forma como Deus a tem usado, desde aquele momento. Apesar de sua doença e consequente falta de ensino superior, ela diz que Deus a ajudou a encontrar um nicho de ministério, revelando-lhe os dons que ele tem dado, incluindo o amor por organizar eventos e conversar com as pessoas.


Deus pode usar qualquer um para seu trabalho, ela explica – até mesmo uma jovem com tuberculose deitada em uma cama de hospital. "Cada um de nós tem um dom de Deus", diz ela. "Se você está disposto a deixar Deus usá-lo, então você encontrará o seu dom."


Tradução por Orlando Silva

Revisado por Eunice L. Amaro

Texto original aqui.

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