Coronavírus: o limitador de uma liberdade recém encontrada


#Internacional Inge* é alguém que conduz mulheres desempregadas para aperfeiçoamento profissional no Leste Europeu. Ainda que ela ame a todas, uma tocou em seu coração de forma especial: “Sara* sempre fez as coisas com 100% de dedicação. Sendo ela, não poderia fazer pela metade. Quando seu marido morreu, nós nos encontramos em seu funeral. Ela se mostrava muito forte, e por isso gostei dela imediatamente”, disse Inge. “ainda que triste, ela estava livre. Diferente de outras mulheres.”


“Depois de um tempo, Sara se juntou ao nosso grupo de aperfeiçoamento para mulheres desempregadas. Ela queria ser uma voluntária, para ajudar e servir de qualquer maneira possível. E ela o fez, mais e mais.”


“Para muitas delas, em especial aquelas que não têm marido, esses grupos de mulheres se tornaram uma nova ‘família’, um lugar onde podem sentir-se livres, sem serem julgadas,” explicou Inge. Muitas mulheres disseram que não tinham experimentado esse tipo de liberdade desde que eram meninas.


“Nós vivemos em um ambiente onde a fofoca é regra.” Explica Sara. “Muitas mulheres, como eu, raramente saem de casa. Elas ficam sempre lá, porque não conseguem suportar a fofoca. ‘Não há futuro se você perde seu marido’, elas dizem aqui. E se você não tem um marido e sai de casa para procurar trabalho, já vão lhe rotular como prostituta.”


No entanto, desde o início, a principal regra aqui no ministério sempre foi “nada de fofoca”. Se ficamos sabendo que uma participante ficou falando de questões particulares de outra mulher do grupo, ela não pode mais participar. A regra é dura mas tem se mostrado eficaz: desde a primeira vez em que os grupos se encontraram, as mulheres estão conversando abertamente umas com as outras. Elas choram juntas, riem e se encorajam. Como uma família.