Bem-aventurados os pacificadores


Por Nicole James e Elia S.

Tradução de João Marcos Hansen

No Sudão do Sul, apertar as mãos de alguém de outra tribo é um gesto monumental de paz. Dividido internamente desde que conquistou a independência do norte em 2011, o país mais jovem do mundo, incluindo a sua capital, Juba, é geograficamente segregado por tribos. Mesmo dentro da própria capital, as subdivisões (bem como algumas igrejas) consistem de grupos tribais únicos. Tensões entre as tribos tem contribuído para a instabilidade do governo e geralmente levam a conflitos armados entre os 10,2 milhões de habitantes do país.

Em vez de aceitar esta segregação tribal, os membros da equipe local da Om estão trabalhando pela paz. Em 2018, eles organizaram uma conferência jovem de uma semana que reuniu 140 jovens com 20 anos ou mais de várias tribos diferentes. A medida que os jovens passaram seu tempo juntos aprendendo, praticando esportes, louvando, orando, compartilhando e alcançando, eles estabeleceram conexões transculturais pessoais, experimentaram o perdão e criaram um novo futuro para a sua geração. “Esses jovens não irão se ver nas tribos, mas verão que são cristãos,” compartilhou Elia, um membro da equipe da OM. Em vez de deixar a história tribal ditar o seu comportamento, os jovens na conferência aprenderam a abraçar a sua identidade em Cristo como o seu papel em trazer a paz.

Um jovem viajou num voo da ONU. Por causa do conflito violento entre a sua tribo e outra tribo proeminente, ele foi forçado a viver dentro de um acampamento da ONU pelos últimos cinco anos junto com cerca de 20 mil pessoas da sua tribo. Mas ele queria participar da conferência da OM e compartilhar da sua história. Quando o tópico de reconciliação surgiu, o jovem começou a cumprimentar pessoalmente os participantes de tribos diferentes. Outros jovens de tribos opostas, tiraram fotos juntos, se abraçando. “A partir dessa conferência, eles estão chegando à conclusão de que podem se unir,” Elia recontou.

A mulher que cozinhou para a conferência jovem também trabalhou para um novo futuro para o país. “Eu já a conheço a muito tempo, desde quando nós [estivemos] em Khartoum” (antes do Sudão e o Sudão do Sul se dividirem), Elia disse. A mulher cresceu numa família muçulmana, sem a oportunidade de experimentar do amor de Deus, até que ela participou de uma conferência da OM e ouviu as boas novas que transformam vidas.

Como a mulher aprendeu sobre Jesus e adquiriu a coragem para anunciar sua fé em Cristo - apesar de ser a única cristã da sua família - ela decidiu que deveria devolver da maneira que pudesse. “Ela não era bem alfabetizada, a única coisa que conseguia fazer era cozinhar,” Elia descreveu.

Então para cada encontro da OM desde 1991, a mulher se voluntariou para ir ao mercado, juntar toda a comida e cozinhar grandes refeições para que outros pudessem encontrar a mesma esperança que ela. “Estou muito feliz de estar contribuindo para o mesmo ministério que abriu os meus olhos para o cristianismo,” ela disse a Elia. “Se as conferências da OM me [fizeram] conhecer a Cristo, existem muitas pessoas como eu, buscando por uma plataforma para compartilharem de sua fé abertamente.” Sua disposição para servir, sem pagamento, para se certificar de que a próxima geração conheça a Jesus, encoraja Elia a continuar buscando maneiras de compartilhar as boas novas e trazer paz.

Os jovens do Sudão do Sul com menos de 25 anos representam mais de 60% da população total*. Uma maioria poderosa, sem dúvida eles irão moldar o futuro do país e estão prontos para se engajarem agora. “Eles são energéticos. Estão buscando alguém para estar com eles, equipá-los, treiná-los e enviá-los,” explicou Elia.

O Sudão do Sul tem lidado com guerras tribais e lutas pelo poder desde o seu estabelecimento, mas o país tem recursos naturais abundantes, incluindo petróleo, e está sentado estrategicamente no portão da África. Recentemente, Elia tem visto organizações islâmicas comprar terra e financiar bolsas de estudos para alguns locais estudarem na Península Arábica. O inglês é o idioma oficial, mas o uso amplo e contínuo do árabe, o idioma do Alcorão, pode tornar o Sudão do Sul uma base atraente para a islamização da África, sugeriu Elia. Os jovens precisam se envolver em moldar o futuro do seu país ou “qualquer movimento virá e o tomará deles,” ele avisou.

Em vez disso, a OM quer usar cada oportunidade para apresentar os jovens a Jesus e encorajá-los a compartilhar com os outros como ter um relacionamento pessoal com Deus. “Vamos começar a focar nos jovens - equipando-os, lhes dando conhecimento sobre o islamismo e como alcançar os muçulmanos, dando-lhes a ideia da visão, dando a ideia de transcultural para que seja fácil para eles alcançarem outros grupos,” explicou.

A cidade de Juba tem sete estradas principais, cada uma levando a uma fronteira internacional. A medida que a OM planeja a conferência jovem de 2019, eles querem enviar sete equipes em campanhas evangelísticas depois de um tempo de treinamento. Já em 2018, vários jovens viajaram por uma das estradas, se encontrando com pessoas, fazendo perguntas e preparando o caminho para o evangelho.

Programas de auxílio

No final de 2018, a ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) relatou que havia 1,8 milhões de pessoas deslocadas internamente no Sudão do Sul. Durante o último ano, os membros da equipe da OM no Sudão do Sul têm feito parceria com outros cristãos para alcançar os vilarejos e as comunidades de pessoas deslocadas ao redor de Juba. Eles encontraram pessoas que passaram por violência, sofreram ferimentos graves e doenças sem tratamento médico e perderam toda a sua família. A poluição da água e os suprimentos inadequados de água potável continuam a representar problemas por todo o país e as pessoas têm grave risco de serem afligidas por doenças infecciosas como a malária, a raiva e meningite*.

Conferências jovens são focadas em desenvolver a próxima geração. Entretanto, programas mensais de auxílio ajudam as pessoas mais necessitadas: os mais velhos, as viúvas e os órfãos. As equipes passam quatro dias no meio de cada grupo de pessoas deslocadas, avaliando necessidades, ouvindo histórias, pregando o evangelho, treinando pessoas para estudarem a Bíblia em pequenos grupos e providenciando cuidado médico limitado sempre que possível.

Voluntários distribuem calmamente suprimentos para as pessoas mais vulneráveis. “Vamos tentar lhes dar a esperança de que não foram esquecidos, de que não estão sendo deixados para trás,” disse Elia.

A equipe serviu a uma mulher deslocada cujo marido estava na prisão depois de perguntar quando ele receberia o seu salário. Já que trabalhava no mesmo escritório, ela parou depois da prisão do marido. Mais tarde, grávida de sete meses, ela relatou que seus filhos pararam de ir à escola. Ela orou a Deus para que intervisse na sua situação. Quando os voluntários lhe ofereceram um pacote de auxílio, ela respondeu: “Suas provisões dessas comidas têm me dado forças, fé e esperança para contar a verdade da minha história”.

Outra pessoa cuja família foi morta durante o conflito tribal em 2016 estava planejando sua vingança. Mas depois de ouvir à equipe da OM compartilhar e orar, ele disse: “Eu quero confessar e perdoar aqueles que mataram a minha família... agora eu tenho paz no meu coração”.

Uma terceira pessoa deslocada que se aproximou da equipe para receber comida, admitiu que anteriormente ela fora cristã, mas que tinha parado de ir à igreja dois anos antes. O pacote de suprimentos e a compaixão dos voluntários ajudou a restaurar o seu relacionamento com Deus. Ela disse: “eu recebi a benção, recuperei minha fé e aprendi a agradecer a Deus em todas as situações porque os Seus planos e caminhos não são os nossos. Meus planos eram para a comida, mas os de Deus eram para a minha alma.”

Livraria

Entre as conferências e as campanhas, a equipe da OM cuida da Livraria Apaya em Juba. “A livraria é o centro do nosso ministério... todos os nossos ministérios dependem da livraria,” disse Tony, um membro da equipe da OM. Na verdade, a livraria é responsável pelo suprimento das Escrituras para todo o Sudão do Sul e os países vizinhos. Nos últimos anos, a equipe tem doado Bíblias para a Sociedade Bíblica, pastores, igrejas e outras ONGs. Eles também montam mesas de livros em campus de universidades e mercados públicos, bem como eventos realizados na Páscoa e no Natal. Desde a sua fundação, estudantes tendem a passar tempo na livraria, junto com outros visitantes curiosos querendo saber mais sobre a diferença entre cristãos e muçulmanos.

Apesar de tudo, a OM depende de doações contínuas para encher suas prateleiras e a de