• Nicole James

Famílias no campo


Por Nicole James

Tradução de Rodrigo Mendes

Revisão de Jéssica Ferri

Desde o início das orações e planejamento até a chegada ao campo, as famílias que entram nas missões enfrentam um conjunto específico de desafios. Crianças pequenas precisam de cuidados constantes. As crianças mais velhas têm requisitos educacionais. As metas de apoio parecem maçantes. Viajar juntos pode proporcionar conforto, mas deixar os países de origem também separa as famílias dos sistemas de suporte anteriores.

"Se fossemos apenas nós dois, essa decisão seria muito fácil. Quando você tem filhos, você está tomando decisões que irão impactar o resto de suas vidas", explicou Markus*, que se juntou a OM Near East Field (NE) em 2016 com sua esposa, Vicky* e duas crianças pequenas.

Ainda assim, as famílias que seguem o chamado de Deus em missões na região do Oriente Médio na África do Norte (MENA) descobriram a fidelidade do Senhor, já que eles levaram seus filhos para o exterior.

Começando de novo (OM Near East Field)

Quando Markus e Vicky começaram um relacionamento, eles também tinham o objetivo de servirem como missionários de longo prazo. Uma viagem ao sudeste da Ásia dois anos depois do casamento mostrou que eles precisavam encontrar uma área diferente para servir, mas o nascimento de primeira filha mudou seus planos para outra oportunidade de missões de curto prazo no verão seguinte.

Eles começaram a olhar para outras opções, mas "assim que pareciam que ficavam mais específicas, as opções se desfaziam". Descreveu Markus. "Nós meio que desistimos. Nós deixamos pra lá. Eu acho que esse foi o ponto de mudança”.

Vicky e Markus assistiram ao filme A Good Lie, que quebrou seus corações em relação aos refugiados em todo o mundo. "Assistindo a esse filme eu só olhei para o Markus e disse: ‘Este trabalho caberia tão bem em seu coração e suas doações’”, lembrou Vicky. "Ao mesmo tempo senti que o Senhor me dizia que precisávamos procurar uma organização e não um país... Nós percebemos que não somos chamados para um país, somos chamados para um trabalho, um trabalho específico".

Assim que o casal começou a explorar opções com a OM, "tornou-se muito claro rapidamente" que o NE era a melhor escolha. Eles decidiram se mudar para o campo no outono de 2016 - tempo suficiente para se prepararem para ter um segundo filho.

O maior choque em sua viagem de reconhecimento para o NE, segundo Vicky, era ver o quão difícil seria se locomover com crianças pequenas. "Poucos dias depois de chegarmos [no país anfitrião], fizemos um par de listas de coisas que sabíamos que teríamos que acelerar e coisa que nossos filhos também teriam que antecipar por não viverem no mundo ocidental".

No entanto, Markus e Vicky decidiram que era possível mudarem-se. A igreja de origem e o campo de destino concordaram.

Duas semanas antes de partirem, Vicky questionou tudo. "Eu sabia que ir era o que deveríamos fazer, mas tudo parecia caótico", disse ela. Seus filhos, um bebê e menino de dois anos, não dormiam bem e Vicky imaginou se seria capaz de recomeçar tudo novamente. "As coisas mais difíceis foram fechar o apartamento e depois o início da despedida na manhã em que voamos", lembrou. "Dar esse passo para ir é muito difícil".

Chegando ao campo como uma família, no entanto, Vicky e Markus ficaram surpresos com a provisão de Deus: um apartamento com um pátio externo para as crianças brincarem. Mais importante, eles reconheceram o valor de se mudarem juntos. "Eu tenho três pessoas comigo que estão muito perto de mim, que estão compartilhando todos os altos e baixos juntos", explicou Markus. "Houve dificuldades, haverá dificuldades, mas através de tudo isso Deus tem sido tão fiel porque Ele nos quer aqui, é tão óbvio. Ele respondeu nossas preces".

Coração para ir (campo da OM na Península Arábica)

Andrew* já estava servindo em tempo integral com a OM EUA, quando ele e sua filha mais velha foram para Malta em uma viagem de curta duração. Durante esse tempo "Deus despertou algo realmente significativo em minha vida e Ele me puxou para um relacionamento mais profundo. Saímos sabendo que algo iria acontecer, mas não sabíamos o que", disse ele. Com duas filhas adolescentes e um filho com necessidades especiais, "nem sequer sabia que era possível ir a algum lugar".

Andrew, sua esposa e seus três filhos colocaram um mapa mundial na mesa de jantar e começaram a orar por países não alcançados. Em janeiro de 2015 a família viajou para a Península Arábica (AP) para uma viagem de reconhecimento. "Crianças adolescentes devem compreender que eles também são chamados, assim como os pais", afirmou Andrew.

Quando a viagem terminou toda a família sabia que Deus estava chamando-os para a AP. Um ano depois todos se mudaram para sua nova casa.

"Ver o trabalho de Deus na vida dos meus filhos foi a maior benção da vida no campo", disse Andrew. A maneira como suas filhas abraçaram a língua, a cultura e seus amigos locais ajudaram na transição da família. "As meninas tiveram suas lutas com altos e baixos, mas sempre foram bastante sólidas em sua fé... De alguma forma quando Deus faz algo na vida do seu filho, é mais repleto do que quando Ele faz algo em sua vida".

A parte mais difícil foi a escolha pela educação em casa. A filha mais velha do casal teve que fazer aulas extra para se formar; a segunda filha também não se adaptou no programa de escola doméstica. Além de aprender a língua e visitar amigos, Andrew teve que criar e supervisionar todos os problemas de cada lição para seu filho autista, Ben*.

Além das incertezas educacionais, Andrew também se perguntava como os árabes se relacionariam com o Ben. Mas Andrew logo descobriu que seus amigos locais estavam apaixonados por seu filho. "Eles se lembravam de seu nome, mas não se lembravam do meu!", ele exclamou.

Na cultura local "ver uma família cuidar e amar uma criança com necessidades especiais é importante", observou Andrew. "Muitas vezes, talvez, eles vejam as crianças com necessidades especiais como sendo uma situação embaraçosa. Mas eu sei que eles veem alguma coisa nele que é pura e especial e eles veem algo em nossa maneira de cuidar do nosso filho... e eles enxergam Jesus nisso."

Como líder de adoração, Andrew afirma: "eu tenho coração para orar pelas nações. Eu acredito que você vem e você sente a presença de Cristo e você se coloca no meio de um lugar e você ora".

Um dia, um amigo muçulmano de Andrew foi visitá-lo. Como o homem estava interessado em música e familiarizado com outras culturas, Andrew pediu às suas filhas para cantarem algumas músicas enquanto ele tocava violão. Depois de algumas músicas, sua segunda filha começou a cantar "Your Great Name" de Amy Grant.

Ouvindo a letra - "Jesus, filho de Deus, Cordeiro dos céus" - Andrew olhou para o amigo, perguntando-se sobre como ele reagiria. O amigo estava sentado com a cabeça inclinada, batendo o pé no ritmo na música. "Uau, isso é tão empolgante", ele disse quando a música terminou.

"Nós devemos adorar, a genuína e verdadeira adoração com este homem muçulmano sentado entre nós", disse Andrew. "Isso é legal."

Presentes para dar (OM Near East Field)

Philip* e Cassidy* tinham uma casa legal, bons empregos e três filhas adolescentes prosperando em suas escolas no subúrbio. No entanto, quanto mais tempo viviam confortavelmente no ocidente, mais insatisfeitos se tornavam.

"Paralelamente a isso, nossas meninas tiveram uma visão real", lembrou Philip. "Elas disseram: ‘Você realmente foi chamado para viver nos EUA, não foi?’. Parece que é realmente muito fácil e parece que há muitos cristãos".

Por três anos a família começou a pensar e orar sobre se mudar para o exterior. Uma noite Philip e Cassidy hospedaram um ex-líder de campo da OM NE. Sentados na varanda dos fundos de casa, o hóspede perguntou: "Quais são os dons que você sede ao corpo [de Cristo]?" "Hospitalidade, mentoria de pessoas mais jovens, adoração", respondeu Philip.

"É exatamente isso que eu preciso no campo", respondeu o missionário.

A pergunta os forçou a ir, segundo Philip. Seu destino no Oriente Próximo, acrescentou Cassidy, foi resultado de orações que ela fez para a região do Mediterrâneo. “Aquela rodovia de Isaías 19 em Jerusalém".

O casal sentou-se com as meninas para uma votação final: "Ou estamos todos dentro ou estamos todos fora", disseram às filhas. "Se alguém disser não, então não iremos". Em seu próprio tempo, as três garotas concordaram em ir.

Dentro de cinco meses a família arrecadou dinheiro suficiente. "Para famílias que são profissionais de meio período é possível que tenham mais suporte e partam. As pessoas querem enviar", enfatizou Philip. "Não é impossível enviar uma família como a nossa".

Com o comprometimento das meninas a família deixou sua casa norte-americana de cinco quartos nos subúrbios para um apartamento de três quartos em uma cidade do Oriente Médio. Eles encontraram maneiras de se conectarem e servirem: organizar a oração, liderar o culto e dirigir um pequeno grupo para jovens adultos. Philip facilitou o importante projeto de alívio sírio e iraquiano da OM NE. Cassidy usou seu diploma de conselheira para ajudar a atravessar situações difíceis. As meninas prosperaram na escola e comunidade e a família gostou de explorar o país anfitrião em excursões de fim de semana.

A perda voluntária de suas carreiras anteriores, a incapacidade de se comunicar em árabe e a distância de suas famílias tornaram a experiência inicial humilhante, segundo Philip. No entanto, ele comemorou as conquistas de suas filhas e as amizades locais, bem como a intimidade adquirida por sua família. "Servir no exterior realmente nos ajudou. É uma coisa incrível de se fazer com sua família em um tempo em que tantas famílias estão se separando nos Estados Unidos", Philip compartilhou.

Refletindo sobre seu período no Oriente Próximo, Philip disse que a experiência de sua família poderia encorajar os outros a irem também. "Qualquer organização de missões precisa de mais médicos, advogados, jornalistas, engenheiros... Pense nisso: você pode ir e ajudar um time imediatamente se você tiver uma habilidade profissional, mesmo que esteja casado há 20 anos e tenha filhos".

*Nomes alterados por segurança

Texto original.

O papel da OM na Igreja é mobilizar pessoas para compartilhar o conhecimento de Jesus e Seu amor com cada geração em cada nação. A OM é pioneira e lidera iniciativas para resgatar vidas, reconstruir comunidades e restaurar a esperança em mais de 110 países.


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